Na mitologia yoruba, orixás (yoruba Òrìsà; em espanhol Oricha; em inglês Orisha) são divindades ou semideuses criados pelo deus supremo Olorun. Os orixás são guardiões dos elementos da natureza e representam todos os seus domínios no aye (a realidade física em que os humanos estão inseridos segundo a tradição iorubá). Também existem orixás intermediários entre os homens e o panteão africano que não são considerados deuses, são considerados "ancestrais divinizados após à morte". Os orixás são cultuados no Brasil, Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Jamaica, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos, México, Venezuela e Portugal.
Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").
Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).
Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e animais.
Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos e tempestades. Também é a orixá das paixões.
Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquizas materias e espirituiais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. É mãe de Obaluaiê e junto com ele, dona das doenças cancerígenas. Mais velha orixá do panteão africano.
Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.
Obá, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas.
Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô.
Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
Omulu, Orixá da morte.
Onilé, orixá do culto de Egungun.
Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
Olokun, orixá divindade do mar.
Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
Orixá Oko, orixá da agricultura.
África
Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.
Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.
A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.
Brasil
No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.
O culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
O culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.
Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.
Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.
A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.
Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.
Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).
Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.
Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.
Fonte: mitologia geral
quinta-feira, 7 de julho de 2016
quinta-feira, 5 de maio de 2016
ELENINI * IDO-BOO
ELENINI
Os yorubás não concebem um ser malígno, como o diabo judaico-cristão, que tem como objetivo unicamente destruir a obra do Criador, prejudicando as pessoas.
Porém os africanos identificavam uma divindade cuja atribuição seria criar obstáculos, dificuldades na realização do destino dos Seres Humanos. Esta é Elenini, conhecida também como Ido Boo e ainda chamada de Yeyemuwo (“mãe da desgraça”).
Elenini é a guardiã da câmara interior de Olodumare (Olorum), local onde o destino é escolhido por cada Ser antes de nascer. Elenini é a testemunha de nossas aspirações diante do Criador.
Quando Olorum ordenou a vinda dos Orixás à Terra, teria enviado também Elenini para lhe informar o comportamento dos deuses.
Elenini é “…uma divindade mitológica da desgraça e do obstáculo, enviado por Olorum para aniquilar as divindades que se mantiveram no Aye com um mau comportamento.”
Elenini testa nossa determinação e nosso caráter, oferecendo tentações e armadilhas que põem em risco os propósitos originalmente eleitos por nós diante de Olorum.
Como a tarefa Elenini tem que criar dificuldades para testar nosso caráter, conflita diretamente com Ori, cuja regência é guiar os Homens pelo seu destino. Por isso, Elenini é considerada como a “inimiga de Ori”.
Apesar de sua forte influência e iminente risco ao bem-estar dos Homens, Elenini não recebe nenhum culto direto na Nigéria ou em qualquer outro local de influência yorubá. Elenini é afastada com o culto ao Ori e com a prática do bom caráter.
Quando um indivíduo está dominado por Elenini, este se torna cego e surdo. Seu Ori está em desequilíbrio e passa a ser uma companhia perigosa aos incautos. Estar em companhia destes, ou em locais repletos de pessoas tomadas por Elenini, torna-se perigoso.
Segundo os yorubás, quando o trabalho de Elenini entra em fase final, é preciso um grande esforço de Ori e da ajuda dos Orixás para haver a superação.
Os dominados por Elenini têm suas vidas marcadas pela derrota, pelo fracasso, pelo desregramento.
Muitos casos de loucura e de surtos de violência, em verdade, são resultantes do domínio de Elenini, quando esta consegue desvirtuar o Homem de seus objetivos, levando-o à derrota inevitável.
Somos frequentemente atacados por Elenini, todavia, através de recomendações do Oráculo, somos alertados e recomendados a fazer determinados ebós, ou a mudar atitudes que podem levar a resultados perniciosos em nossas vidas.
Apesar do perigo que representa Elenini, esta divindade não é vista pela filosofia yorubá propriamente como algo “demoníaco”, mas como um contra-ponto, capaz de nos valorizar as boas atitudes e a testar nosso livre-arbítrio.
Elenini nos obriga a exercitar o bom-senso e a fortificar iwá (o caráter).
Todas as ações humanas que enfraquecem o Ori, tais como excessos de álcool, as drogas, a promiscuidade, locais onde Elenini impera, amizades nocivas, facilitam a influência da Yeyemuwo. Ao vencermos nossas fraquezas, derrotamos Elenini.
Segundo a tradição yorubá, antes de virmos ao mundo, devemos antes fazer uma oferenda a Elenini. Aqueles que teimam e nada ofertam a Elenini, passam por grandes tribulações na vida e nada realizam.
O poema que relata a vinda do Odu Irosun-Meji para o mundo, menciona sua relação com esta divindade. Vejamos:
“IROSUN-MEJI VEM PARA O MUNDO:
Antes de Irosun- Meji vir ao mundo, foi consultar Ifá.Ifá o avisou para fazer sacrifício com um galo e uma tartaruga para a divindade do infortúnio (Elenini ou Idobo) e um bode para Èşu. Também foi recomendado a dar uma galinha d´angola para seu anjo guardião.
Ele no entanto se recusou a fazer algum dos sacrifícios, e então veio ao mundo onde estava praticando a arte de Ifá. Quando cresceu, era tão pobre que não podia ter recursos para casar sossegado e ter um filho. O sofrimento se tornou tão severo para ele, que este decidiu jogar suas sementes de Ifá fora.
Nesse ínterim, teve um sonho no qual seu anjo guardião surgiu-lhe falando que ele era o único responsável por seus problemas porque tinha teimosamente recusado a fazer o sacrifício prescrito.
Quando acordou de manhã, decidiu consultar seu Ifá e foi então que compreendeu que foi seu guardião que surgiu para ele na noite anterior. Rapidamente providenciou fazer sacrifício para seu Ifá e deu um bode a Èşu.
Ifá avisou-o para retornar para o céu para informar a Olodumare como falhou ao não agradar Elenini. Para seu retorno ao céu, foi avisado a levar um galo, um jabuti, um pacote de inhames, uma cabaça de água, uma de óleo, pimenta, quiabo e rapé.
Ele então juntou todas as coisas e empacotou-as em sua bolsa divinatória (AKOMINIJEKUN ou AGBAVBOKO) e partiu.
Após viajar até o limite entre o céu e a terra, ele teve que atravessar sete colinas antes de chegar ao céu. Lá chegando foi direto ao palácio divino, onde encontrou Elenini (a guardiã da câmara divina – a divindade do infortúnio ou yeyemuwo, a mãe dos obstáculos).
Ele se ajoelhou na câmara divina e proclamou que viera com toda humildade para renovar seus desejos terrestres. Yeyemuwo disse que era ainda cedo da manhã para fazer algum pedido porque não havia comida na casa. De sua bolsa divinatória, ele retirou imediatamente a lenha, água, óleo, pimenta, sal, quiabo, rapé e por fim o galo, todos os quais a mãe dos obstáculos exigiu em troca, em sua usual tática atrasando-o, mas Irosun-meji estava completamente preparado depois disso, yeyemuwo permitiu-o fazer seus pedidos.
Como era proibido ajoelhar-se no chão descoberto, ele então se ajoelhou na tartaruga a qual trouxe da terra. Após fazer seus pedidos, Olodumare o abençoou com seu cetro divino. Quando yeyemuwo ouviu o som do cetro, rapidamente terminou sua culinária, mas antes de ela poder sair, Èşu indicou a Irosun-meji a partir rapidamente para a terra.
Quando a mãe dos obstáculos emergiu por fim da cozinha, perguntou a Olodumare pelo homem que tinha estado fazendo seus pedidos e o pai todo poderoso replicou que ele tinha ido. Quando ela questionou o porquê ele não pediu ao homem para fazer bons e maus pedidos, Deus replicou que não era sua tradição interferir quando seus filhos estavam fazendo seus pedidos.
A despeito de todos os presentes que ele tinha dado a yeyemuwo, ela, no entanto rapidamente partiu em rápida perseguição de Irosun-meji.
Quando estava perseguindo-o, ela cantou:
Ariro sowo giniginimoko;
Irawo be sese le eyin eron;
Oju ima ki irawo ma bi eronise;
Olo Oríre omomi duro demi buwo ooo;
Ele replicou com um refrão de uma canção dizendo que ele já tinha feito o sacrifício e seus pedidos, não faltando nada. Enquanto estava cantando ele estava correndo em frente apavorado.
Quando yeyemuwo viu que ela não conseguiria capturá-lo, ficou quieta e esticou seu polegar e disparou através de suas costas com ele. Aquela é a linha oca que corre por meio da espinha dorsal do ser humano, até hoje, a qual está nos recordando constantemente que a única maneira que nós podemos escapar das longas mãos do infortúnio é fazendo sacrifício.
Com aquela marca yeyemuwo proclamou a Irosun-meji e para o resto da humanidade – nunca lembrar seus pedidos celestes chegando a terra, visto que os olhos não podem ver as costas do corpo e que antes de dar conta de seus pedidos, ele teria que andar nas trevas por um longo tempo e experimentar um processo muito sofrido.
A dor do ferimento fez Irosun-meji inconsciente e ele caiu em um transe de total escuridão. Quando levantou, se achou em sua cama na terra. Ele havia esquecido tudo que aconteceu desde então.
Todavia ele circulou seus negócios e prosperou depois.”
quinta-feira, 28 de abril de 2016
Mito e Rito
Mito
Um mito do grego antigo, é uma narrativa de caráter simbólico-imagético, relacionada a uma certa cultura que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser dos personagens, a origem das coisas (do mundo; dos homens; dos animais; das doenças; dos objetos; das práticas de caça, pesca, medicina entre outros; do amor; do ódio; da mentira e das relações, seja entre homens e homens, homens e mulheres e mulheres e mulheres, humanos e animais; enfim, de qualquer coisa fantasiosa que seja).
Ao mito está associado o rito. O rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem - em cerimônias, danças, orações e sacrifícios.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades. Acontecimentos históricos podem se transformar em lendas, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura, e serem erroneamente chamados de mito. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas, mas há de se lembrar que muitas comunidades contemporâneas ainda se valem e muito do mito que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega, a mitologia romana, mitologia africana, etc...
Tipos de mitos
- Cosmogonias: mitos de origem e destruição, incluindo os messiânicos e milenários.
- Mitos folclóricos
- Mitos fundadores, onde se explica a origem de um rito, uma crença, uma filosofia, uma cidade ou comunidade
- Mito narrativo
- Mitos de providência e destino
- Mitos de renascimento e renovação, incluindo os de memória e esquecimento
- Mitos de seres superiores e seus descendentes
- Mitos de tempo e eternidade
- Soteriológicos: de salvadores e heróis
Rito
O termo rito (do latim ritu) tem vários sentidos. Rito é um pouco diferente de ritual, dando continuidade ao mito. No sentido mais geral, é uma sucessão de palavras e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito, mantendo ensinamentos ancestrais e sagrados.
É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
segunda-feira, 21 de março de 2016
O Culto aos Eguns
Egun é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas tem como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos.
Os Mortos do sexo feminino recebem o nome de Iyá-mi Agbá (minha mãe anciã), porém, não são cultuadas individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Osorongá chamada também de Iyá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas “Sociedades Gelèdé”, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detem e manipulam esse poderoso poder. O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvou ao poder feminino ancestra, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Além da sociedade Gelèdé,existemtambém na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Ìyámi Osorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuados somente por homens. Tanto Ìyámi quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Ìyámi é maior e, portanto, mais controlado, inclusive pela sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante, é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas têm como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades e comuninadades quando vivos, para que eles continuem presentes entre os seus descendentes de forma previlegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esses mortos surgem de forma visível mais camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egun ou Egungun. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições , pois só os homens possuem ou matém a individualidade; as mulheres é negado este previlégio, assim como participar diretamente do culto. Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos do culto dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a Yorubana.
No Brasil existem duas sociedades de Egungun, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: O Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambos em Itaparica, Bahia.
O Egungun é a morte que volta à terra espiritual e visivel aos olhos dos vivos.Ele “nasce” através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojés (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão ou vara chamado ixan, que, quando tocado na terra por tres vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se torne vida”, e o Egungun ancestral divinizado está de novo vivo.
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto dos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberto com uma roupa de tiras multicoloridas , que caem da ´parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, , chamada séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado Ijimerê na Nigéria.
As tradições religiosas afirmam que sob a roupa está somente a energia do ancestral; há também o transe mediúnico pois sob os panos está o mariwo (iniciado no culto Egunun) em transe ou preparado para representar seu ancestral, pelo sim pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egun.
As tradições religiosas afirmam que sob a roupa está somente a energia do ancestral; há também o transe mediúnico pois sob os panos está o mariwo (iniciado no culto Egunun) em transe ou preparado para representar seu ancestral, pelo sim pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egun.
A roupa de Egun chamada de Eku na Nigéria ou opá na Bahia, ou Egungun propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwoa usam ixan para controlar a morte , alí representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocár-se , pois como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egun se tornará assombrado, e o perigo o rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egun é a materialização da morte sob tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial.E mesmo os mais qualificados sacerdotes, como os Ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns, desempenham todas essas funções substituindo as mãos pelo Ixan.
Os Egun-Agbá (ancião), também chamados de baá-Egun (pai), são Eguns que játiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e sua vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos.
Os Apaaraká são Eguns, ainda mudos e sua roupas são as mais simples: não tem tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.
O eku dos Babá são divididos em três partes: o alabá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de pano coloridas, formando uma espécie de largas franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos, do qual, também caem muitas tiras de pano na altura do tórax; e o banté, que é uma larga tira de pano especial presa ao kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté que foi previamente preparado e impregnado de axé, é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele o sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. na Nigéria, os Agbá-Egun portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá máscaras esculpidas de madeira chamadas de Erê Egungun;outros entre o alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babás carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixan. Nesses casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egun, como Babá e Apaaraká, conforme seus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, são extensas.
Pesquisa: Editora Minuano, revista:Candomblé Mitos e Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.
sexta-feira, 18 de março de 2016
domingo, 20 de dezembro de 2015
Ser Bruxa é...
Mais informações sobre a autora do texto acesse: https://www.facebook.com/holisticoseoraculos
Ser Bruxa
é amar a vida em todas as suas
manifestações e aspectos, é ser livre para ser não o que os outros propõem, mas
o que ela se propõe.
Ser Bruxa é ousar, traçar caminhos novos, criar e fazer sua vontade sem prejudicar a nada nem a ninguém, é ser fértil como só seu corpo feminino pode ser.
Ser Bruxa é ousar, traçar caminhos novos, criar e fazer sua vontade sem prejudicar a nada nem a ninguém, é ser fértil como só seu corpo feminino pode ser.
Ser Bruxa é
despertar para o mundo e ter a coragem de erguer seus olhos para enxergá-lo sem
culpa ou desculpa. É um caminho longo, difícil, corajoso e gratificante,
porém... um caminho sem volta.
Ser bruxa é
mais que estudo, é um estado de alma. Uma bruxa já nasce bruxa, apenas não
sabe, não se lembra da época em que ainda não havia a separação.
Quando você puder, sem medo, caminhar com os pés nus em uma floresta, olhar as árvores, as flores e sentir os ciclos da natureza em seu corpo... Você é uma Bruxa!
Quando você puder, sem medo, caminhar com os pés nus em uma floresta, olhar as árvores, as flores e sentir os ciclos da natureza em seu corpo... Você é uma Bruxa!
Quando você entrar confiante no mar, nos rios, nas cachoeiras, ficar sob a chuva
e sentir em seu sangue o movimento das águas...
Você é uma Bruxa!
Quando você olhar para a vela, o fogo, as brasas, a fogueira e sentir que seu espírito dança com as labaredas...
Você é uma Bruxa!
Você é uma Bruxa!
Quando você olhar para a vela, o fogo, as brasas, a fogueira e sentir que seu espírito dança com as labaredas...
Você é uma Bruxa!
Quando
você olhar para o céu, respirar fundo, sentir o vento no rosto e sentir-se
livre para voar com ele...
Você é uma Bruxa!
Você é uma Bruxa!
Quando
você puder, em sua mente, andar como um gato, nadar como um golfinho, rastejar
como serpente, voar como gavião, sorrir como um ser humano e compactuar com a
Lua...
Você é uma Bruxa!
Você é uma Bruxa!
Quando
você sentir que a Natureza é você e você é o Universo...
Você é uma Bruxa!
Ser Bruxa significa, antes de qualquer coisa, saber lidar e respeitar as Leis da Natureza.
Você é uma Bruxa!
Ser Bruxa significa, antes de qualquer coisa, saber lidar e respeitar as Leis da Natureza.
A Bruxa
respeita e conhece a Natureza. Porque a conhece, a ama. Porque a ama, cuida.
Porque cuida, cura.
Este é o nosso trabalho, o trabalho da Bruxa. Curar a Natureza com amor, o mesmo amor e respeito que, antes de tudo, para sermos bruxas, devemos dispensar a nós mesmas.
Este é o nosso trabalho, o trabalho da Bruxa. Curar a Natureza com amor, o mesmo amor e respeito que, antes de tudo, para sermos bruxas, devemos dispensar a nós mesmas.
A bruxa lida com o natural, com as
forças da natureza em seu modo mais amplo. A lua é nossa conselheira. É através
dela que temos contato íntimo com nossos ciclos, com nossas profundezas, com
nossas emoções. É com a força dela que trabalhamos, em todos os aspectos de luz
e sombras.
Uma bruxa não é aquele estereótipo
que aprendemos nos quadrinhos, de nariz pontudo e verruga. Yabás são bruxas,
pombagiras são bruxas. Todas, sem exceção, trabalham com as forças da natureza,
e esta particularidade já lhes faz bruxas.
O que falar então de caboclas, pretas
velhas!?!? Todas bruxas! Guiadas pela lua, utilizadoras das águas, das ervas,
do fogo, que curam e acolhem.
A bruxaria não tem cor, não é branca,
nem negra. A bruxaria é o que precisa ser, cada caso é um caso. Benzedeiras, o
que são? Bruxas! Mas elas rezam! Siiiim, elas rezam! E quem disse que uma
oração não é uma bruxaria?
A bruxaria mora nos 4 verbos: saber,
querer, ousar e calar.
Eu só sei, se me conecto. É preciso
disponibilidade de se abrir para o que nos cerca, sem medos e pudores.
Se eu quero, eu faço. Sou dona do meu
destino, e o moldo da melhor maneira, com minhas atitudes. E claro, com uma
forcinha mágica, afinal... somos bruxas!
Se eu faço, eu ouso. Ouso desafiar o
senso comum, ouso desafiar o estado letárgico que nos impõem durante a vida, no
afã de fazer diferente. Para nós, não existe “e se...”
Me calo. Porque como dizem as ciganas
(sim, bruxas também!) a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro! É no
ventre quieto e escuro que a vida nasce e se desenvolve. Pra que entrar em
embates desnecessários, seja neste mundo ou no outro, contra toda a energia
ruim que nos cerca? Mais vale a tranquilidade da quietude, do que dissipar
energia que poderia ter fins mais proveitosos...
Maya Manson.
Gostou? Contamos sempre com a sua participação, traga sua ideia e comente sobre qual assunto lhe interessa ver em nosso Blog.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
As Iyami Oxorongá
O Poder ancestral feminino
e elementos místicos da mulher
em seu duplo aspecto: protetor e generoso, perigoso e destrutivo estão
representando As Iyami Oxorongá. Todos os orixás femininos são detentores deste
poder.
As Iyami são as guardiãs do
destino e zeladoras da existência, por isso sua boa vontade, essencial à
continuidade da vida e da sociedade, deve ser cultivada. Pertencem a um grupo
de seres espirituais chamados Ajogùn, cujas funções incluem carregar o ebó para
alimentar-se dele ou, mais precisamente, do sofrimento humano do qual está
impregnado. Ao processarem as energias dos ebós, possibilitam a cura, a
superação de dificuldades e a atração de bens necessários. Sua relação com os
poderes mágicos lhes possibilita também neutralizar os efeitos negativos de
pensamentos, palavras e ações destrutivas que uma pessoa dirija contra outra ou
contra si mesma. A presença e a influência de Iyami no jogo oracular é
fundamental, pois se manifestam em todos os odus e, sendo parceiras deles, têm
como ajudá-los a comunicar-se entre si. Parceiras também de Exu e dos demais
orixás, indicam com eles os ebós necessários para cada situação, sendo de
competência comum a todos a tarefa de transportá-los.
A expressão Ìyámi, Minha(s)
Mãe(s) ou Zeladora(s), designa um orixá cujo poder é tão grande que todos se
referem a elas sempre no plural, aludindo a uma coletividade. Quando se quer
saudá-las basta pronunciar um de seus nomes, pois elas representam uma
coletividade de seres relacionados a todos os elementos fundamentais para a
sobrevivência dos homens: por isso traí-las significa trair a própria essência
vital humana. Invocar as Mães implica em associar-se a uma coletividade de
energias que vivem em estreita relação com elementos indispensáveis à
sobrevivência humana.
As Iyami, curandeiras com
grande poder mágico, podem assumir diferentes formas. Intervêm na existência
humana no plano individual (na saúde física, psíquica e espiritual, no
casamento e na sexualidade) e no plano social (no trabalho e nas amizades).
Elas apoiam as pessoas em sua tarefa de organizar pensamentos e conhecimentos
para melhor atingir objetivos, atraindo sorte e favorecendo conquistas
materiais. Promovem mudanças no plano emocional, facilitando que um homem
nervoso se acalme e um impaciente torne-se paciente. Intervindo nos destinos,
protegem as pessoas de danos causados por inimigos e por falhas próprias. Como
harmonizam relações, favorecem casamentos. Sendo portadoras de axé, favorecem a
aquisição e a manutenção da energia vital; protetoras e zeladoras de tal
energia, orientam as pessoas quanto à melhor maneira de realizar seu destino.
No aiye as Iyami trabalham
para colocar ordem no conhecimento e na sabedoria dos seres, e transmitem isso
ao orum através de assentamentos já consagrados a elas, de iniciações e da
realização de constantes oferendas e ebós. A partir do momento em que se
estabelece uma ligação com Iyami, adquire-se melhores condições para atingir
objetivos e concretizar ideais.
As mulheres pertencentes ao
grupo de devotos das Iyami são chamadas Ìyá-Agbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo,
Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); os homens são chamados de Òsó (Bruxo,
Feiticeiro acredite homens também podem ser bruxos). Ambos ficam atribuídos do
poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A
aquisição do poder das Iyami ocorre pelo nascimento, por herança e pela
iniciação. Esta última pode proporcionar a proteção delas para o iniciado e
seus familiares e amigos mais próximos e pode, num grau mais elevado, permitir
a transmutação física, embora exclusivamente no caso de mulheres. Diz o
provérbio que o filho de Iyami tem dois ouvidos, dois olhos e uma única boca,
para ouvir e ver bem mais do que falar. Falar sobre as Mães inspira a sensação
de poder e sabedoria, muitas vezes equivocada, porque um devoto que não saiba
proteger e preservar a força e os segredos confiados a ele será vencido
facilmente. Falar sobre elas é uma tarefa desafiadora porque exige cumplicidade
entre quem fala e quem ouve e uma responsabilidade rara das pessoas em relação
ao uso que fazem das palavras. Por isso, durante a iniciação, as pessoas se
comunicam o mínimo necessário.
Os iniciados em Iyami possuem
as marcas simbólicas das Mães em seu corpo e podem sentí-las até mesmo
fisicamente. Essas marcas indicam sinais de nobreza. Os devotos das Mães muitas
vezes acabam se tornando líderes. Deles exige-se postura séria e rigorosa e uma
auto-educação para que não fiquem mencionando o poder delas. Pessoas
indiscretas ou que se considerem poderosas não devem cultuá-las, pois sua
postura afasta o poder das Mães. Tolerância e paciência, qualidades do sábio,
são os principais meios de se venerar Iyami e aos demais orixás. O devoto das
Mães deve ser verdadeiro, leal, fiel e respeitoso para criar espaços onde elas
possam viver e atuar. As Iyami têm o poder de tornar o tempo favorável ou
desfavorável, podendo provocar morte prematura ou prolongar a vida: a
capacidade de trabalhar com seus poderes para atuar sobre a duração da existência,
entretanto, é privilégio de poucos sacerdotes.
Os iniciados em Iyami pelo
Oduduwa Templo dos Orixás reunem-se periodicamente para manter e fiscalizar o
culto aos orixás, zelar pela casa e tratar de assuntos relevantes para a
comunidade que frequenta a instituição. Um dos eventos coletivos mais
importantes do templo é o Festival de Iyami, que ocorre anualmente.
Bruxa e pássaro.
A palavra Ìyàmìs
por si só, em realidade não identifica à mulher com o lado escuro de seu poder,
como uma bruxa, muito pelo contrário é um modo de exaltar e
homenagear sua capacidade de engendrar apelando a seu lado protetor maternal,
pois significa: Minha mãe!!!
Esta forma de
referir-se a qualquer mulher expressa um sentido de reverência àquela que serve
de ponte entre os antepassados e os vivos, bem como também reflete seu
importante papel maternal.
Desse modo todas
as divindades femininas são chamadas também ìyàmìs, mais não no sentido
de bruxas, senão por tratar-se de uma homenagem verbal às
grandes mães espirituais.
A coruja é um de
seus pássaros.
A pena da coruja é
utilizada em ritos das Ìyàmì, na finalidade de obter proteção
contra os perversos espíritos da noite, ameaças e inveja.
É este pássaro
quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa
suavemente nos tetos das casas, nos galhos das árvores, e é silencioso.
Se as Ìyàmìs dizem
que é pra matar, eles matam, se elas dizem pra levarem os intestinos de alguém,
levarão.
Elas enviam
pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos
e os pulmões das pessoas, dão dores de cabeça e febre, não deixam que as
mulheres engravidem e não deixam as grávidas darem à luz.
As Ìyàmìs costumam
se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas.
E só Orunmilá
Consegue acalmá-la.
O Culto dos Eguns no
Candomblé do sexo feminino recebem o nome de Ìyàmìs Agbá, minha mãe
anciã, mas não são cultuados individualmente.
Sua energia como ancestral
é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyàmìs Oxorongá chamada
também deÌyá Niá, a grande mãe.
Esta imensa massa
energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada
pelas sociedades Gëlèdé, compostas exclusivamente por mulheres, e somente
elas detêm e manipulam este perigoso poder.
O medo da ira de
Ìyàmìs nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em
louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam
máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter,
entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
O mito da bruxa que
voa na vassoura acompanhada por pássaros macabros é quase mundial, com pequenas
diferenças dependendo da cultura e folclore local.
As Ìyàmìs são
executoras da lei num sentido inverso, isto é, procurar o bem a partir do mau.
Toda pessoa que
tenha certa inclinação às características negativas para os demais está
alimentando estas forças e com isso fortalecendo Ìyàmìs que a seu tempo a
própria energia negativa da pessoa se converta em seu próprio juiz.
Ìyàmì Oxorongá posará suas patas
em cima de sua cabeça.
Não há nenhum ebó
capaz de vencer o trabalho destas entidades, o que se pode no máximo é
apaziguar-lhes .
Sua função se
torna importante, pois tendem a regular o comportamento do ser humano através
de seus medos.
Quem deseja
que Ìyàmìs Oxorongá não se torne um obstáculo em
sua vida deve frear os sentimentos de inveja, ciúmes, rancor, bem como qualquer
pensamento negativo para seus semelhantes.
Fundem-se a ideia
que as Ìyàmìs se reúnem em assembleia, onde se conspiraria e
especularia sobre as maldades a realizar enviando os Ajogun após o
questionamento se foi feito ou não os ebós marcados por babalaos através de
Ifá, deste modo servem de reguladores do comportamento frente às dívidas
geradas ante as divindades, por causa de ter rompido o equilíbrio existente de
alguma maneira seja numa vida anterior ou na presente.
A Ìyàmì Aye pertence todo sangue derramado na terra e também quem controla o sangue menstrual a que quando aparece revela a presença próxima destas criaturas, o que explicaria as dores típicas e o que costuma ter as mulheres nessa etapa.
Presume-se
que a palavra Aje utilizada como bruxa prove da
contração de Iya +Je, a mãe que come, aludindo a seu voraz apetite, sempre
atraída pelo cheiro do sangue e vísceras.
Ela pode vir sob a
forma de mosca, pássaro, gracioso ou inclusive outros animais.
Em síntese, todo
ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidissem não
mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer.
Esse é o poder
de Iyá Mi, mostrar que todas as mulheres juntas decidem
sobre o destino dos homens.
As denominações de
Ìyàmì expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa
razão seus nomes nunca devem ser pronunciados.
Quando se disser
um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especial para aplacar a ira das
grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras
mais temidas entre os yorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para
referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona
do Pássaro.
O aspecto mais
aterrador das Ìyàmìs e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos
terreiros, é Oxorongá, uma bruxa terrível que se transforma no
pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.
As Ìyàmìs são as
senhoras da vida, mas fundamental da vida é a morte.
Quando devidamente
cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo.
Não podem, porém,
ser esquecidas, nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da
morte.
O lado bom de
Ìyàmìs é expresso em divindades de grande fundamento, como Apàöká,
a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Odé .
Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés
da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu.
Os assentamentos
de Ìyàmìs ficam juntos as grandes árvores como a jaqueira e geralmente são
enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida
representação do ventre.
As Ìyàmìs,
juntamente com Exú e os Eguns são evocados nos ritos de Ipadé, um complexo
ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino
na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os
segredos do culto, pois um dia, quando deixarem à vida, integrarão o corpo das
Ìyàmìs, que são as mulheres ancestrais.
À meia-noite
ninguém deve estar na rua, principalmente em encruzilhada, mas se isso
acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos.
Também o vento, afefe de que Iansã é a dona, pode ser bom ou
mau, através dele se enviam as coisas boas e ruins, sobretudo o vento ruim, que
provoca a doença que o povo chama de ar do vento.
Ofurufu, o
firmamento, o ar também desempenha o seu papel importante, sobretudo á noite,
quando todo seu espaço pertence a Eleiye, que são as Ajés, transformadas em
pássaros do mal, como Agbibgó, Elùlú, Atioro, Oxorongá, dentre outros, nos
quais se transforma a Ajé-mãe, mais conhecida por Ìyàmì Osoronga.
TÍTULOS DE ÌYÀMÌ
Agba: Poderosa Mãe
ancestral associada ao poder feminino.
Ajé : Poderosa
Mãe administradora do Poder Sobrenatural. Este devido ao culto que é realizado
na lua nova e utiliza de poderes sobrenaturais para combater à agressividade, feitiço.
Por ser o ciclo mais escuro da lua.
Iyá Mi Ajé =
minha mãe feiticeira também conhecida por Ìyàmìs Oxorongá , é a
sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos
tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação.
Iyami Ajé na
forma de pássaro, Coruja Rasga-Mortalha ou coruja rasgadeira, pousa nas árvores
favoritas durante a noite, principalmente na jaqueira. Contam os antigos
africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído
característico ou aproxima-se de uma casa é porque alguém vai morrer. (Mito que
se espalhou por outros cultos e religiões, afinal quem nunca ouviu falar isso)
Ako: Poderosa Mãe
que é o pássaro Ako. Título referente ao 3o dia da lua cheia e a seu culto
exatamente na sociedade das Geledes. Título de quem assume o posto de primeira
dama desta sociedade.
Alaiye: Poderosa
Mãe proprietária de toda extensão Terrestre.
Apaki: Poderosa
Mãe que mata. Uma referência ao fato que ao decorrer da vida acontece a morte.
Araiye: Poderosa
Mãe que controla todos os espíritos da Terra, encarnados e desencarnados.
Arajado: Poderosa
Mãe que olha para o Céu. Uma referencia ao fato da Terra esta coberta pelo Céu.
Asiwòró: Poderosa
Mãe canalizadora das energias nos ritos tradicionais.
Ayala: Poderosa
Mãe esposa daquele que é o Céu. Uma referencia ao fato da Terra ser coberta
pelo Céu o próprio Orixalá.
Buruku: Poderosa
Mãe Antiga. Uma referência ao planeta na sua antiguidade existencial.
Egeleju: Poderosa
Mãe dos olhos delicados.
Ekunlaiye:
Poderosa Mãe que inunda a Terra com Água.
Eleje: Poderosa
Mãe proprietária do fluxo da vida o sangue.
Elesenu: Poderosa
Mãe Proprietária de todos os órgãos internos, vísceras.
Eleye: Poderosa
Mãe Proprietária dos Pássaros.
Ilunjó: Poderosa
Mãe que dança o ritmo da morte. Uma referência ao ritmo tocado para Ogun aquele
que dança o ritmo da morte.
Iya-Ori: Poderosa
Mãe das Cabeças, uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de
sacrifício animal sobre uma cabeça. Titulo que é também cultuada nos ritos de
bori.
Iyelala: Poderosa
Mãe senhora dos sonhos, relacionada a revelação de situações através de sonhos.
Iyemonja: Poderosa
Mãe senhora que possui muitos filhos como cardumes de Peixes, uma alusão à sua
qualidade anfíbia e à quantidade de seres humanos existentes na terra comparada
à quantidade de peixes existentes no Mar. Titulo relacionado a Egun.
Iyemowo: Poderosa
Mãe que é o próprio dinheiro de suas filhas, uma alusão a grande quantidade de
búzios que utiliza em suas roupas este titulo é cultuada no culto de Orixalá.
Kekere: Poderosa
Mãe pequena do universo. Uma referência ao fato de Iyami ser a administradora
da vida na auxiliando Olodunmare.
Koko: Poderosa Mãe
Anciã, uma referência à antiguidade do planeta.
Logboje: Cabaça
Existencial no Universo, uma referencia ao planeta Terra.
Malè: Poderosa mãe
que não permite o mal chegar na noite, uma alusão as noites que sobrevoa na sua
forma de pássaro nos lugares em que é invocada e reverenciada com louvores e
saudações. Título este muito reverenciada nas rodas de Xangô, Egungun, quando e
enquanto dançam em volta da fogueira ao Ar livre, fato memorável ao poder
sobrenatural que possibilita Xangô como o grande Egungun ancestral voltar à
Terra possuindo seus Eleguns durante as festividades.
Naré: Poderosa
como o próprio ventre.
N'la: Poderosa
grande Mãe, uma referência à grandeza do planeta Terra e seu culto elementar.
Oduwà: Poderosa
Mãe proprietária do recipiente da existência, o mundo.
Oga Igi:
Poderosa Mãe que faz o alto das árvores de trono. Uma referência ao fato dos
Pássaros pousarem no cume das grandes árvores.
Oloriyàmi:
Poderosa Mãe proprietária das águas, referência aos mares e a água do útero.
Olotojú: Poderosa
Mãe que espia do alto ao fato dos pássaros pairarem no ar e observarem tudo de
cima.
Omolulu: Poderosa
Mãe rainha das formigas, ao fato de estar associada ao subsolo, título este em
que é também cultuada no culto de Obaluaiê.
Onilé: Poderosa
Mãe proprietária da Terra, referente a reverencia e aos rituais realizados
dentro da terra. Outra referencia é ao fato de ser o lugar mais próprio de se
cultuar toda classe de espíritos, na qual Ela é a grande apaziguadora desses
espíritos ou forças rebeldes. Numa única função de tranquilizar, apaziguar ou
neutralizar qualquer tipo de força oculta agressiva.
Oru-Alé: Poderosa Mãe
da madrugada e da noite.
Osupa: Poderosa
Mãe que controla as forças da lua.
Oxorongá: está
sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres
humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia
numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se
fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto
para que Ìyàmì se sinta ofendida.
Tudo que é redondo
remete ao ventre e, por consequência, as Ìyàmìs.
O poder das
grandes mães é expresso entre os Orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o
poder de Ìyàmìs é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em
quase todas as culturas, é considerada tabu.
Petekun: Poderosa
Mãe que é povoada, uma referência a relação com Bará.
Curiosidades
ANIMAL : Abelha.
AVE : Coruja.
COME: Aves
pequenas, víscera de animais, ovos.
QUATRO
PÉ : Coelho.
INTERDITO : Pimenta
da costa. (ATARI)
veja também: Ser Bruxa é..
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