domingo, 27 de maio de 2018

Imortalidade


              

              Dentro do culto aos Orixás, no Candomblé, uma das maiores quiçá a maior busca é pela vida sem fim, (a imortalidade), afinal tratasse de um culto de resistência e ancestralidade e é neste sistema de valores que o candomblé é baseado.

                Cada ser humano constrói a sua personalidade e feitos e quando partem  os deixam  de recordação.

                 Ninguém se recordará de quem nada fez, de quem não construiu sua própria história. Quando mais se constrói laços vitais e historias com os demais seres vivos mais o antepassado reviverá.

                  A imortalidade é atingida como vivente, ainda que homem/mulher deixe de existir como individuo, será como vivente perpetuado por gerações.

                  No candomblé vivemos uma relação interativa com os antepassados. São os “antepassados”, pais, avós, tios, cujos nomes e feitos são recordados.  Invocam-se pelos seus próprios nomes, e como antepassados vivem no momento que são invocados (Lembrados).
Os antepassados são verdadeiros chefes, guardiões dos costumes: velam pela conduta dos seus  descendentes e observam e orientam os ritos e costumes. Dentro do nosso culto existe a fidelidade às tradições, o respeito pelos anciãos e pelos os mortos (antepassados). Os cumprimentos das cerimônias estão permanentemente sob o seu controle.

                Os antepassados desempenham um papel estabilizador social básico. A presença dos antepassados no culto aos orixás e na vida cotidiana dos vivos, longe de ser um simples objeto ou sistema de conhecimento teórico, é uma realidade  viva que encanta e absorve a atenção de quem conhece.

                O papel dos antepassados é o de guardar viva a recordação das nossas origens e da nossa história. Negar isto é negar as nossas raízes e até nossa identidade.

A imortalidade existe dentro da sociedade que cultua seus antepassados. 
Não há morte enquanto houver lembranças.


Fontes: Revista Afro Negro; Wordpress.
Texto adaptado.
Foto: Retirada da internet ; Rodrigo Lôbo/Acervo 

sábado, 26 de maio de 2018

Evocar / Invocar e Possessão


Qual a diferença?

Para desmistificar temos que entender primeiramente alguns pontos básico sobre invocar e evocar.
Ambos são a transformação de uma energia espiritual em algo visível, cada um de uma forma específica e própria.

A evocação é, portanto, a comunicação do indivíduo com a divindade ou espirito, evocação é o convite feito à divindade para participar do rito em matéria astral ou espiritual, fora do corpo carnal do responsável ou participantes, porém dentro do espaço sagrado. Isso possibilita a conversa direta e a percepção das energias. O que é muito usado durante uma reza (Àdúrà). Enquanto que a invocação é o meio externo atingindo voluntariamente o meio “in”terno transformando o indivíduo em uma espécie de “hospedeiro”.



Evocação já é o convite à Divindade para participar do ritual em matéria astral ou espiritual, fora do corpo do oficiante responsável, porém dentro do espaço sagrado. Isso possibilita a conversa direta e a percepção das energias divinas.

“Evocar vem do latim evoco are, que significa chamar a si, mandar vir, chamar para aparecer, fazer aparecer.”

Evocar se refere também ao ato de tornar algo presente pela sua lembrança ou na sua imaginação, sendo sinônimo de lembrar, relembrar e recordar. Sendo assim as Azuelas cantadas são Evocações aos nossos Orisás.

Invocação se caracteriza por convidar a Divindade para participar do ritual no corpo de uma pessoa.

“Invocar vem do latim in vocare, que significa chamar em, ou seja, chamar em socorro, pedir auxílio, suplicar, pedir ajuda com uma prece.” (Oriki)


“Após essa distribuição de conceitos, é comum pensar em invocação igual à possessão, mas não, a possessão é a permanência não autorizada de um espírito ou divindade em algum corpo ou material, o que se caracteriza por uma forma imperialista de estar entre nós, pois a possessão tira do “dono” do corpo de qualquer autonomia e liberdade sobre suas ações, dando total direito ao ser que o possuí. E os nossos Orisás não são assim, eles são convidados a estar no corpo do responsável por isso, porém os Orisás não o possuem por completo, Eles apenas agem através do corpo responsável, compartilham do mesmo corpo, mas dando ao “dono” do corpo total autonomia e liberdade para agir, dando inclusive liberdade para dispersar a divindade que age dentre dele na hora certa.”

sábado, 19 de maio de 2018

O poder sobrenatural dos Ebós

Existem uma quantidade incomensurável de Ebós (magias) confeccionadas pelos Yorubás.
Ha grandes poderes e mistérios envolvendo estes Ebós e grande parte destas magias são consagradas através de diversas e complexas formulas, inacessíveis aos curiosos.
Grande parte destas magias são inexplicáveis, deixando perplexo aos que vem pela primeira vez.
listarei algumas destas magias.



Ebo eferan efe - uma especie de perfume utilizada para atrair de volta o homem ou a mulher amada(o)

Ebo iyami nile - utilizado para despejar alguém da casa.

Ebo eyonu aiye - utilizado para atrair a simpatia de alguém.

Amudo - Preparado magico, em um anel ou pedaço de tecido que tem a propriedade de encantar uma mulher.

Ero - preparado medicinal para acalmar uma pessoa.

Itaja - sabão preparado para ser utilizado em lojas para aumentar as vendas.

Awebidamu - preparado magico para retirar negatividade de uma pessoa.

Awure ose - sabão preparado para atrair boa sorte.

Isuju - magia poderosa para tornar uma pessoa invisível.

Eyonu - magia utilizada para livrar-se dos inimigos.

Oruka anewo - anel preparado para pessoas briguentas, quem usa o anel tem mais vontade de brigar, a pessoa que for agredida com o anel cairá e não terá mais condições de ficar em pé.

Apota - preparado magico para se proteger do ataque inimigo.

Ogun aleko - potente solutivo masculino sexual.

Ajidewe ou Sagbadewe - rejuvenescedor potente.

Lofinda - Perfume preparado capaz de encantar quem o usa possuindo poderes afrodisíacos.

Ogun isora - preparado injetado no corpo através de incisões feitas na cabeça para fechamento de corpo.

Amuale - magia para afastar ladrões de casas.

Madarikan - magia utilizada para proteção contra muitos inimigos, um preparado e inserido no corpo do protegido através de incisões na cabeça.

Sobiya - magia realizada em terras para evitar que determina pessoa pise naquele terreno, se a pessoa entrar no terreno os pés começarão a inchar levando a pessoa a grave problemas de saúde.

Kanako - Magia que diminui a distancia a ser percorrida, torna o caminho mais curto.

Oju wiwe - poção magica para se lavar os olhos , através desta lavagem a pessoa passa a enxergar longe, ver coisas que os demais não conseguem ver .

Ayeta - fechamento de corpo contra arma de fogo.

Okigbe - fechamento de corpo contra armas brancas.

Gbetugbetu - pequenas bolinhas preparadas e colocadas na boca, ativadas por palavras ou pensamento, A pessoa sob o encantamento de Gbetugbetu, perde totalmente a consciência deixando de saber oque esta fazendo e sendo controlada pelo encantador.

Afunje / Iferan ife - veneno do amor

Ipara - preparado com óleo mineral e diversas outras substancias , usada no corpo para atrair coisas boas.


Claro que aqui não será lugar de aprender  como fazer estes grandes Orós, mas saber que existem estes e muitos outros já é um grande passo.

sábado, 14 de abril de 2018

Òrìsàs Meta -meta.





A primeiro passo para começar a entender sobre mẹta mẹta é definirmos o seu significado segundo as tradições.
Primeira tradição e linha de raciocínio:
Se formos buscar a tradução RTY mẹta mẹta quer dizer , três, ou mais ao pé da letra, três três.
Seguindo esta linha , òrìsàs Mẹta mẹta = òrìsàs três. Mas oque são òrìsàs 3?
Orixás como logunedé são mẹta, onde 1+1=3.
Logunedé na maioria dos itáns é filho de Oxum e Odé, a qual herda todos as qualidades, boas e ruins dos dois , mas ainda conta com as suas próprias.
Logunedé é meio Odé meio Oxum, isso não significa que ele é meio homem meio mulher. Logunedé é um orixá masculino, aboro, homem. Mas que tem as qualidades de Oxum e Odé e ainda conta com as suas próprias.
Ele é Oxum , ele é Odé e ele é ele mesmo, 1+1=3.
Logun Edé nós traz um Orí Mèta = cabeça divividida em três.
Ologunedé é chamado de orixá Mèta porque o próprio nome já fala tudo. Ter um orí de logun não pode cuidar apenas de logun, tem que cuidar de oxum e oxossi, ou seja o orixá já correga com ele mais dois orixás, fazendo ele ser Mèta que significa 3. Pensando assim se você já cuida no seu orí de logun, oxum e oxossi; colocar oxum ou oxossi como juntó vai tornar as energias desequilibradas, logun é orixá de fundamentos raros e minuciosos. E comum ter Oyá de juntó que vem para acalmar as energias. No culto a Logun Edé é mais comum se ver juntó Oyá, mas já vi pessoas com juntó oxalá, Iemonjá que são orixás que de qualquer forma já dominam orí desde o nascimento.
Segunda linha de tradição e raciocínio:
Aínda podemos seguir pela linha dos 4 elementais. Terra, fogo, ar e terra.
Cada orixá tem seu domínio sobre um elemental.
Ex: Xangô orixá do fogo, Ọya orixá da água, Oxala orixá do ar, Obaluaê orixá da terra, etc...
Mas existem alguns orixás que estão sobre 3 domínios.
Ex: Logunedé orixá da terra,
Fogo e da água,
Oxumarê orixá do fogo, terra e do ar, etc...
Ou seja orixás Mẹta (3).

Terceira linha de tradição e raciocínio:
Na diáspora mẹta meta foi transformado em metade , meio a meio.
E transforma orixás como Logunedé e Oxumarê como orixás que transitam entre o masculino e feminino, sendo parte do tempo homem e parte do tempo mulher.
Explicado as linhas , cada um de nós segue segundo sua tradição.
Orixás Mẹta mẹta podem ou não ser Juntó?
Se a escola de pensamento a ser seguida for a primeira ou segunda linha acima, orixás Mẹta mẹta dificilmente apareceram como juntó, pois ter 3 elementos no juntó daria um orí terrivelmente insano.
Orixás Mẹta mẹta podem vir no caminho de filhos de qualquer outro orixá , mas como juntó e quase impossível.
Na terceira escola não posso opinar pois desconheço maiores fundamentos desta.
Mas conheço pessoas adeptas desta tradição que também implicam dificuldades de termos orixás Mẹta mẹta como juntó.