domingo, 27 de maio de 2018

Imortalidade


              

              Dentro do culto aos Orixás, no Candomblé, uma das maiores quiçá a maior busca é pela vida sem fim, (a imortalidade), afinal tratasse de um culto de resistência e ancestralidade e é neste sistema de valores que o candomblé é baseado.

                Cada ser humano constrói a sua personalidade e feitos e quando partem  os deixam  de recordação.

                 Ninguém se recordará de quem nada fez, de quem não construiu sua própria história. Quando mais se constrói laços vitais e historias com os demais seres vivos mais o antepassado reviverá.

                  A imortalidade é atingida como vivente, ainda que homem/mulher deixe de existir como individuo, será como vivente perpetuado por gerações.

                  No candomblé vivemos uma relação interativa com os antepassados. São os “antepassados”, pais, avós, tios, cujos nomes e feitos são recordados.  Invocam-se pelos seus próprios nomes, e como antepassados vivem no momento que são invocados (Lembrados).
Os antepassados são verdadeiros chefes, guardiões dos costumes: velam pela conduta dos seus  descendentes e observam e orientam os ritos e costumes. Dentro do nosso culto existe a fidelidade às tradições, o respeito pelos anciãos e pelos os mortos (antepassados). Os cumprimentos das cerimônias estão permanentemente sob o seu controle.

                Os antepassados desempenham um papel estabilizador social básico. A presença dos antepassados no culto aos orixás e na vida cotidiana dos vivos, longe de ser um simples objeto ou sistema de conhecimento teórico, é uma realidade  viva que encanta e absorve a atenção de quem conhece.

                O papel dos antepassados é o de guardar viva a recordação das nossas origens e da nossa história. Negar isto é negar as nossas raízes e até nossa identidade.

A imortalidade existe dentro da sociedade que cultua seus antepassados. 
Não há morte enquanto houver lembranças.


Fontes: Revista Afro Negro; Wordpress.
Texto adaptado.
Foto: Retirada da internet ; Rodrigo Lôbo/Acervo 

sábado, 26 de maio de 2018

Evocar / Invocar e Possessão


Qual a diferença?

Para desmistificar temos que entender primeiramente alguns pontos básico sobre invocar e evocar.
Ambos são a transformação de uma energia espiritual em algo visível, cada um de uma forma específica e própria.

A evocação é, portanto, a comunicação do indivíduo com a divindade ou espirito, evocação é o convite feito à divindade para participar do rito em matéria astral ou espiritual, fora do corpo carnal do responsável ou participantes, porém dentro do espaço sagrado. Isso possibilita a conversa direta e a percepção das energias. O que é muito usado durante uma reza (Àdúrà). Enquanto que a invocação é o meio externo atingindo voluntariamente o meio “in”terno transformando o indivíduo em uma espécie de “hospedeiro”.



Evocação já é o convite à Divindade para participar do ritual em matéria astral ou espiritual, fora do corpo do oficiante responsável, porém dentro do espaço sagrado. Isso possibilita a conversa direta e a percepção das energias divinas.

“Evocar vem do latim evoco are, que significa chamar a si, mandar vir, chamar para aparecer, fazer aparecer.”

Evocar se refere também ao ato de tornar algo presente pela sua lembrança ou na sua imaginação, sendo sinônimo de lembrar, relembrar e recordar. Sendo assim as Azuelas cantadas são Evocações aos nossos Orisás.

Invocação se caracteriza por convidar a Divindade para participar do ritual no corpo de uma pessoa.

“Invocar vem do latim in vocare, que significa chamar em, ou seja, chamar em socorro, pedir auxílio, suplicar, pedir ajuda com uma prece.” (Oriki)


“Após essa distribuição de conceitos, é comum pensar em invocação igual à possessão, mas não, a possessão é a permanência não autorizada de um espírito ou divindade em algum corpo ou material, o que se caracteriza por uma forma imperialista de estar entre nós, pois a possessão tira do “dono” do corpo de qualquer autonomia e liberdade sobre suas ações, dando total direito ao ser que o possuí. E os nossos Orisás não são assim, eles são convidados a estar no corpo do responsável por isso, porém os Orisás não o possuem por completo, Eles apenas agem através do corpo responsável, compartilham do mesmo corpo, mas dando ao “dono” do corpo total autonomia e liberdade para agir, dando inclusive liberdade para dispersar a divindade que age dentre dele na hora certa.”

sábado, 19 de maio de 2018

O poder sobrenatural dos Ebós

Existem uma quantidade incomensurável de Ebós (magias) confeccionadas pelos Yorubás.
Ha grandes poderes e mistérios envolvendo estes Ebós e grande parte destas magias são consagradas através de diversas e complexas formulas, inacessíveis aos curiosos.
Grande parte destas magias são inexplicáveis, deixando perplexo aos que vem pela primeira vez.
listarei algumas destas magias.



Ebo eferan efe - uma especie de perfume utilizada para atrair de volta o homem ou a mulher amada(o)

Ebo iyami nile - utilizado para despejar alguém da casa.

Ebo eyonu aiye - utilizado para atrair a simpatia de alguém.

Amudo - Preparado magico, em um anel ou pedaço de tecido que tem a propriedade de encantar uma mulher.

Ero - preparado medicinal para acalmar uma pessoa.

Itaja - sabão preparado para ser utilizado em lojas para aumentar as vendas.

Awebidamu - preparado magico para retirar negatividade de uma pessoa.

Awure ose - sabão preparado para atrair boa sorte.

Isuju - magia poderosa para tornar uma pessoa invisível.

Eyonu - magia utilizada para livrar-se dos inimigos.

Oruka anewo - anel preparado para pessoas briguentas, quem usa o anel tem mais vontade de brigar, a pessoa que for agredida com o anel cairá e não terá mais condições de ficar em pé.

Apota - preparado magico para se proteger do ataque inimigo.

Ogun aleko - potente solutivo masculino sexual.

Ajidewe ou Sagbadewe - rejuvenescedor potente.

Lofinda - Perfume preparado capaz de encantar quem o usa possuindo poderes afrodisíacos.

Ogun isora - preparado injetado no corpo através de incisões feitas na cabeça para fechamento de corpo.

Amuale - magia para afastar ladrões de casas.

Madarikan - magia utilizada para proteção contra muitos inimigos, um preparado e inserido no corpo do protegido através de incisões na cabeça.

Sobiya - magia realizada em terras para evitar que determina pessoa pise naquele terreno, se a pessoa entrar no terreno os pés começarão a inchar levando a pessoa a grave problemas de saúde.

Kanako - Magia que diminui a distancia a ser percorrida, torna o caminho mais curto.

Oju wiwe - poção magica para se lavar os olhos , através desta lavagem a pessoa passa a enxergar longe, ver coisas que os demais não conseguem ver .

Ayeta - fechamento de corpo contra arma de fogo.

Okigbe - fechamento de corpo contra armas brancas.

Gbetugbetu - pequenas bolinhas preparadas e colocadas na boca, ativadas por palavras ou pensamento, A pessoa sob o encantamento de Gbetugbetu, perde totalmente a consciência deixando de saber oque esta fazendo e sendo controlada pelo encantador.

Afunje / Iferan ife - veneno do amor

Ipara - preparado com óleo mineral e diversas outras substancias , usada no corpo para atrair coisas boas.


Claro que aqui não será lugar de aprender  como fazer estes grandes Orós, mas saber que existem estes e muitos outros já é um grande passo.

sábado, 14 de abril de 2018

Òrìsàs Meta -meta.





A primeiro passo para começar a entender sobre mẹta mẹta é definirmos o seu significado segundo as tradições.
Primeira tradição e linha de raciocínio:
Se formos buscar a tradução RTY mẹta mẹta quer dizer , três, ou mais ao pé da letra, três três.
Seguindo esta linha , òrìsàs Mẹta mẹta = òrìsàs três. Mas oque são òrìsàs 3?
Orixás como logunedé são mẹta, onde 1+1=3.
Logunedé na maioria dos itáns é filho de Oxum e Odé, a qual herda todos as qualidades, boas e ruins dos dois , mas ainda conta com as suas próprias.
Logunedé é meio Odé meio Oxum, isso não significa que ele é meio homem meio mulher. Logunedé é um orixá masculino, aboro, homem. Mas que tem as qualidades de Oxum e Odé e ainda conta com as suas próprias.
Ele é Oxum , ele é Odé e ele é ele mesmo, 1+1=3.
Logun Edé nós traz um Orí Mèta = cabeça divividida em três.
Ologunedé é chamado de orixá Mèta porque o próprio nome já fala tudo. Ter um orí de logun não pode cuidar apenas de logun, tem que cuidar de oxum e oxossi, ou seja o orixá já correga com ele mais dois orixás, fazendo ele ser Mèta que significa 3. Pensando assim se você já cuida no seu orí de logun, oxum e oxossi; colocar oxum ou oxossi como juntó vai tornar as energias desequilibradas, logun é orixá de fundamentos raros e minuciosos. E comum ter Oyá de juntó que vem para acalmar as energias. No culto a Logun Edé é mais comum se ver juntó Oyá, mas já vi pessoas com juntó oxalá, Iemonjá que são orixás que de qualquer forma já dominam orí desde o nascimento.
Segunda linha de tradição e raciocínio:
Aínda podemos seguir pela linha dos 4 elementais. Terra, fogo, ar e terra.
Cada orixá tem seu domínio sobre um elemental.
Ex: Xangô orixá do fogo, Ọya orixá da água, Oxala orixá do ar, Obaluaê orixá da terra, etc...
Mas existem alguns orixás que estão sobre 3 domínios.
Ex: Logunedé orixá da terra,
Fogo e da água,
Oxumarê orixá do fogo, terra e do ar, etc...
Ou seja orixás Mẹta (3).

Terceira linha de tradição e raciocínio:
Na diáspora mẹta meta foi transformado em metade , meio a meio.
E transforma orixás como Logunedé e Oxumarê como orixás que transitam entre o masculino e feminino, sendo parte do tempo homem e parte do tempo mulher.
Explicado as linhas , cada um de nós segue segundo sua tradição.
Orixás Mẹta mẹta podem ou não ser Juntó?
Se a escola de pensamento a ser seguida for a primeira ou segunda linha acima, orixás Mẹta mẹta dificilmente apareceram como juntó, pois ter 3 elementos no juntó daria um orí terrivelmente insano.
Orixás Mẹta mẹta podem vir no caminho de filhos de qualquer outro orixá , mas como juntó e quase impossível.
Na terceira escola não posso opinar pois desconheço maiores fundamentos desta.
Mas conheço pessoas adeptas desta tradição que também implicam dificuldades de termos orixás Mẹta mẹta como juntó.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Defumação

A defumação é essencial dentro de um ile àṣẹ.
Ao queimarmos as ervas, liberamos em alguns minutos de defumaçãotodo o poder energético aglutinado em meses ou anos absorvido do solo da Terra, da energia dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas. Deste modo, projeta-se uma força capaz de desagregar miasmas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, entre outros.
Existem, para cada objetivo que se tem ao fazer-se uma defumação, diferentes tipos de ervas, que associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem reações agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujas auras são agressivas, repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os antigos Magos, graças ao seu conhecimento e experiência incomuns, sabiam combinar certas ervas de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que tencionavam turbar-lhes o trabalho de magia.
Apesar das ervas servirem de barreiras fluídico-magnéticas pra os espíritos inferiores, seu poder é temporário, pois os irmãos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente por nossos pensamentos e atos turvos, que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades). Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e atos.
Defumação também tem seus orós (segredos) a se cumprir antes e depois do ato em si,
Não basta apenas passar a latinha com fumaça, mas isso é assunto para um próximo post.
Fontes de estudo: o rei das folhas; umbanda ; blog Bessem.
Direito de Imagem: ile àṣẹ azumdan.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas em pé

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Estava inventado o Candomblé!!!

No começo não havia separação entre o Orum, o Céu dos orixás, e o Aiê, a Terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras.
Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas.
O céu imaculado do Orixá fora conspurcado.
O branco imaculado de Obatalá se perdera.
Oxalá foi reclamar a Olorum.
Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo, irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais, soprou enfurecido seu sopro divino e separou para sempre o Céu da Terra.
Assim, o Orum separou-se do mundo dos homens e nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida.
E os orixás também não podiam vir à Terra com seus corpos.
Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados.
Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.
Os orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanos e andavam tristes e amuados.
Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindo que os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.
Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.
Foi a condição imposta por Olodumare.
Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres, dividindo com elas sua formosura e vaidade, ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto, recebeu de Olorum um novo encargo: preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.
Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.
De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.
Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta, banhou seus corpos com ervas preciosas, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou seus corpos.
Pintou suas cabeças com pintinhas brancas, como as pintas das penas da conquém, como as penas da galinha-d’angola.
Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços, enfeitou-as com jóias e coroas.
O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé, pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.
Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros, e nos pulsos, dúzias de dourados indés.
O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contas e múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.
Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori, finas ervas e obi mascado, com todo condimento de que gostam os orixás.
Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada e o orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.
Finalmente as pequenas esposas estavam feitas, estavam prontas, e estavam odara.
As iaôs eram as noivas mais bonitas que a vaidade de Oxum conseguia imaginar.
Estavam prontas para os deuses.
Os orixás agora tinham seus cavalos, podiam retornar com segurança ao Aiê, podiam cavalgar o corpo das devotas.
Os humanos faziam oferendas aos orixás, convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs. Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.
E, enquanto os homens tocavam seus tambores, vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás, enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam, convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê, os orixás dançavam e dançavam e dançavam.
Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.
Os orixás estavam felizes.
Na roda das feitas, no corpo das iaôs, eles dançavam e dançavam e dançavam.
Estava inventado o candomblé.
Fonte: Reginaldo Prandi, Mitologia dos orixás.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Oríkì para Ògún

Oríkì para Ògún
Ògún, eu te saúdo !
Ògún, senhor do universo,
líder dos orixás.
Ògún, dono de dois facões,
Usou um deles para preparar a horta
e o outro para abrir caminho.
No dia em que Ògún vinha da montanha
ao invés de roupa usou fogo para se cobrir.
E vestiu roupa de sangue.
Ògún, a divindade do ferro
Òrìsà poderoso, que se morde inúmeras vezes.
Ògún Onire, o poderoso.
O levamos para dentro do rio
e ele, com seu facão, partiu as águas em duas partes iguais.
Ògún é o dono dos cães e para ele sacrificamos.
Ògún, senhor da morada da morte.
o interior de sua casa é enfeitado com màrìwò.
Ògún, senhor do caminho da prosperidade.
Ògún, é mais proveitoso ao homem cultuá-lo do que sair para plantar
Ògún, apoie-me do mesmo modo que apoiou Akinoro.
Oríkì fún Ògún
Ògún pèlé o !
Ògún alákáyé,
Osìn ímolè.
Ògún alada méjì.
O fi òkan sán oko.
O fi òkan ye ona.
Ojó Ògún ntòkè bò.
Aso iná ló mu bora,
Ewu ejè lówò.
Ògún edun olú irin.
Awònye òrìsà tií bura re sán wònyìnwònyìn.
Ògún onire alagbara.
A mu wodò,
Ògún si la omi Logboogba.
Ògún lo ni aja oun ni a pa aja fun.
Onílí ikú,
Olódèdè màríwò.
Ògún olónà ola.
Ògún a gbeni ju oko riro lo,
Ògún gbemi o.
Bi o se gbe Akinoro.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Orixás

Na mitologia yoruba, orixás (yoruba Òrìsà; em espanhol Oricha; em inglês Orisha) são divindades ou semideuses criados pelo deus supremo Olorun. Os orixás são guardiões dos elementos da natureza e representam todos os seus domínios no aye (a realidade física em que os humanos estão inseridos segundo a tradição iorubá). Também existem orixás intermediários entre os homens e o panteão africano que não são considerados deuses, são considerados "ancestrais divinizados após à morte". Os orixás são cultuados no Brasil, Cuba, República Dominicana, Porto Rico, Jamaica, Guiana, Trinidad e Tobago, Estados Unidos, México, Venezuela e Portugal.
Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e animais.
Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos e tempestades. Também é a orixá das paixões.
Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquizas materias e espirituiais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. É mãe de Obaluaiê e junto com ele, dona das doenças cancerígenas. Mais velha orixá do panteão africano.
Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.
Obá, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas.
Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô.
Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
Omulu, Orixá da morte.
Onilé, orixá do culto de Egungun.
Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
Olokun, orixá divindade do mar.
Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
Orixá Oko, orixá da agricultura.
África

Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, Orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

O culto de Ifá só inicia Babalawos, não entram em transe.
O culto aos Egungun só inicia Babaojés, não entram em transe.
O Candomblé Ketu inicia Iaôs, entram em transe com Orixá.
O Candomblé Jeje inicia Vodunsis, entram em transe com Vodun.
O Candomblé Bantu inicia Muzenzas, entram em transe com Nkisi.
Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada Orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

Fonte: mitologia geral

quinta-feira, 5 de maio de 2016

ELENINI * IDO-BOO

ELENINI

Os yorubás não concebem um ser malígno, como o diabo judaico-cristão, que tem como objetivo unicamente destruir a obra do Criador, prejudicando as pessoas.
Porém os africanos identificavam uma divindade cuja atribuição seria criar obstáculos, dificuldades na realização do destino dos Seres Humanos. Esta é Elenini, conhecida também como Ido Boo e ainda chamada de Yeyemuwo (“mãe da desgraça”).
Elenini é a guardiã da câmara interior de Olodumare (Olorum), local onde o destino é escolhido por cada Ser antes de nascer. Elenini é a testemunha de nossas aspirações diante do Criador.
Quando Olorum ordenou a vinda dos Orixás à Terra, teria enviado também Elenini para lhe informar o comportamento dos deuses.
Elenini é “…uma divindade mitológica da desgraça e do obstáculo, enviado por Olorum para aniquilar as divindades que se mantiveram no Aye com um mau comportamento.” 
Elenini testa nossa determinação e nosso caráter, oferecendo tentações e armadilhas que põem em risco os propósitos originalmente eleitos por nós diante de Olorum. 
Como a tarefa  Elenini tem que criar dificuldades para testar nosso caráter, conflita diretamente com Ori, cuja regência é guiar os Homens pelo seu destino. Por isso, Elenini é considerada como a “inimiga de Ori”. 
Apesar de sua forte influência e iminente risco ao bem-estar dos Homens, Elenini não recebe nenhum culto direto na Nigéria ou em qualquer outro local de influência yorubá. Elenini é afastada com o culto ao Ori e com a prática do bom caráter. 
Quando um indivíduo está dominado por Elenini, este se torna cego e surdo. Seu Ori está em desequilíbrio e passa a ser uma companhia perigosa aos incautos. Estar em companhia destes, ou em locais repletos de pessoas tomadas por Elenini, torna-se perigoso. 
Segundo os yorubás, quando o trabalho de Elenini entra em fase final, é preciso um grande esforço de Ori e da ajuda dos Orixás para haver a superação. 
Os dominados por Elenini têm suas vidas marcadas pela derrota, pelo fracasso, pelo desregramento. 
Muitos casos de loucura e de surtos de violência, em verdade, são resultantes do domínio de Elenini, quando esta consegue desvirtuar o Homem de seus objetivos, levando-o à derrota inevitável.
Somos frequentemente atacados por Elenini, todavia, através de recomendações do Oráculo, somos alertados e recomendados a fazer determinados ebós, ou a mudar atitudes que podem levar a resultados perniciosos em nossas vidas. 
Apesar do perigo que representa Elenini, esta divindade não é vista pela filosofia yorubá propriamente como algo “demoníaco”, mas como um contra-ponto, capaz de nos valorizar as boas atitudes e a testar nosso livre-arbítrio. 
Elenini nos obriga a exercitar o bom-senso e a fortificar iwá (o caráter). 
Todas as ações humanas que enfraquecem o Ori, tais como excessos de álcool, as drogas, a promiscuidade, locais onde Elenini impera, amizades nocivas, facilitam a influência da Yeyemuwo. Ao vencermos nossas fraquezas, derrotamos Elenini. 
Segundo a tradição yorubá, antes de virmos ao mundo, devemos antes fazer uma oferenda a Elenini. Aqueles que teimam e nada ofertam a Elenini, passam por grandes tribulações na vida e nada realizam. 
O poema que relata a vinda do Odu Irosun-Meji para o mundo, menciona sua relação com esta divindade. Vejamos:

“IROSUN-MEJI VEM PARA O MUNDO:
Antes de Irosun- Meji vir ao mundo, foi consultar Ifá.Ifá o avisou para fazer sacrifício com um galo e uma tartaruga para a divindade do infortúnio (Elenini ou Idobo) e um bode para Èşu. Também foi recomendado a dar uma galinha d´angola para seu anjo guardião.
Ele no entanto se recusou a fazer algum dos sacrifícios, e então veio ao mundo onde estava praticando a arte de Ifá. Quando cresceu, era tão pobre que não podia ter recursos para casar sossegado e ter um filho. O sofrimento se tornou tão severo para ele, que este decidiu jogar suas sementes de Ifá fora.
Nesse ínterim, teve um sonho no qual seu anjo guardião surgiu-lhe falando que ele era o único responsável por seus problemas porque tinha teimosamente recusado a fazer o sacrifício prescrito.
Quando acordou de manhã, decidiu consultar seu Ifá e foi então que compreendeu que foi seu guardião que surgiu para ele na noite anterior. Rapidamente providenciou fazer sacrifício para seu Ifá e deu um bode a Èşu.
Ifá avisou-o para retornar para o céu para informar a Olodumare como falhou ao não agradar Elenini. Para seu retorno ao céu, foi avisado a levar um galo, um jabuti, um pacote de inhames, uma cabaça de água, uma de óleo, pimenta, quiabo e rapé.
Ele então juntou todas as coisas e empacotou-as em sua bolsa divinatória (AKOMINIJEKUN ou AGBAVBOKO) e partiu.
Após viajar até o limite entre o céu e a terra, ele teve que atravessar sete colinas antes de chegar ao céu. Lá chegando foi direto ao palácio divino, onde encontrou Elenini (a guardiã da câmara divina – a divindade do infortúnio ou yeyemuwo, a mãe dos obstáculos).
Ele se ajoelhou na câmara divina e proclamou que viera com toda humildade para renovar seus desejos terrestres. Yeyemuwo disse que era ainda cedo da manhã para fazer algum pedido porque não havia comida na casa. De sua bolsa divinatória, ele retirou imediatamente a lenha, água, óleo, pimenta, sal, quiabo, rapé e por fim o galo, todos os quais a mãe dos obstáculos exigiu em troca, em sua usual tática atrasando-o, mas Irosun-meji estava completamente preparado depois disso, yeyemuwo permitiu-o fazer seus pedidos.
Como era proibido ajoelhar-se no chão descoberto, ele então se ajoelhou na tartaruga a qual trouxe da terra. Após fazer seus pedidos, Olodumare o abençoou com seu cetro divino. Quando yeyemuwo ouviu o som do cetro, rapidamente terminou sua culinária, mas antes de ela poder sair, Èşu indicou a Irosun-meji a partir rapidamente para a terra.
Quando a mãe dos obstáculos emergiu por fim da cozinha, perguntou a Olodumare pelo homem que tinha estado fazendo seus pedidos e o pai todo poderoso replicou que ele tinha ido. Quando ela questionou o porquê ele não pediu ao homem para fazer bons e maus pedidos, Deus replicou que não era sua tradição interferir quando seus filhos estavam fazendo seus pedidos.
A despeito de todos os presentes que ele tinha dado a yeyemuwo, ela, no entanto rapidamente partiu em rápida perseguição de Irosun-meji.
Quando estava perseguindo-o, ela cantou:
Ariro sowo giniginimoko;
Irawo be sese le eyin eron;
Oju ima ki irawo ma bi eronise;
Olo Oríre omomi duro demi buwo ooo;
Ele replicou com um refrão de uma canção dizendo que ele já tinha feito o sacrifício e seus pedidos, não faltando nada. Enquanto estava cantando ele estava correndo em frente apavorado.
Quando yeyemuwo viu que ela não conseguiria capturá-lo, ficou quieta e esticou seu polegar e disparou através de suas costas com ele. Aquela é a linha oca que corre por meio da espinha dorsal do ser humano, até hoje, a qual está nos recordando constantemente que a única maneira que nós podemos escapar das longas mãos do infortúnio é fazendo sacrifício.
Com aquela marca yeyemuwo proclamou a Irosun-meji e para o resto da humanidade – nunca lembrar seus pedidos celestes chegando a terra, visto que os olhos não podem ver as costas do corpo e que antes de dar conta de seus pedidos, ele teria que andar nas trevas por um longo tempo e experimentar um processo muito sofrido.
A dor do ferimento fez Irosun-meji inconsciente e ele caiu em um transe de total escuridão. Quando levantou, se achou em sua cama na terra. Ele havia esquecido tudo que aconteceu desde então.
Todavia ele circulou seus negócios e prosperou depois.”

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Mito e Rito

Mito


Um mito do grego antigo, é uma narrativa de caráter simbólico-imagético, relacionada a uma certa cultura que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser dos personagens, a origem das coisas (do mundo; dos homens; dos animais; das doenças; dos objetos; das práticas de caça, pesca, medicina entre outros; do amor; do ódio; da mentira e das relações, seja entre homens e homens, homens e mulheres e mulheres e mulheres, humanos e animais; enfim, de qualquer coisa fantasiosa que seja).
Ao mito está associado o rito. O rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem - em cerimônias, danças, orações e sacrifícios.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades. Acontecimentos históricos podem se transformar em lendas, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura, e serem erroneamente chamados de mito. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas, mas há de se lembrar que muitas comunidades contemporâneas ainda se valem e muito do mito que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega, a mitologia romana, mitologia africana, etc...


Tipos de mitos

  • Cosmogonias: mitos de origem e destruição, incluindo os messiânicos e milenários.
  • Mitos folclóricos
  • Mitos fundadores, onde se explica a origem de um rito, uma crença, uma filosofia, uma cidade ou comunidade
  • Mito narrativo
  • Mitos de providência e destino
  • Mitos de renascimento e renovação, incluindo os de memória e esquecimento
  • Mitos de seres superiores e seus descendentes
  • Mitos de tempo e eternidade
  • Soteriológicos: de salvadores e heróis

Rito


O termo rito (do latim ritu) tem vários sentidos. Rito é um pouco diferente de ritual, dando continuidade ao mito. No sentido mais geral, é uma sucessão de palavras e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito, mantendo ensinamentos ancestrais e sagrados.
É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.