quinta-feira, 5 de maio de 2016

ELENINI * IDO-BOO

ELENINI

Os yorubás não concebem um ser malígno, como o diabo judaico-cristão, que tem como objetivo unicamente destruir a obra do Criador, prejudicando as pessoas.
Porém os africanos identificavam uma divindade cuja atribuição seria criar obstáculos, dificuldades na realização do destino dos Seres Humanos. Esta é Elenini, conhecida também como Ido Boo e ainda chamada de Yeyemuwo (“mãe da desgraça”).
Elenini é a guardiã da câmara interior de Olodumare (Olorum), local onde o destino é escolhido por cada Ser antes de nascer. Elenini é a testemunha de nossas aspirações diante do Criador.
Quando Olorum ordenou a vinda dos Orixás à Terra, teria enviado também Elenini para lhe informar o comportamento dos deuses.
Elenini é “…uma divindade mitológica da desgraça e do obstáculo, enviado por Olorum para aniquilar as divindades que se mantiveram no Aye com um mau comportamento.” 
Elenini testa nossa determinação e nosso caráter, oferecendo tentações e armadilhas que põem em risco os propósitos originalmente eleitos por nós diante de Olorum. 
Como a tarefa  Elenini tem que criar dificuldades para testar nosso caráter, conflita diretamente com Ori, cuja regência é guiar os Homens pelo seu destino. Por isso, Elenini é considerada como a “inimiga de Ori”. 
Apesar de sua forte influência e iminente risco ao bem-estar dos Homens, Elenini não recebe nenhum culto direto na Nigéria ou em qualquer outro local de influência yorubá. Elenini é afastada com o culto ao Ori e com a prática do bom caráter. 
Quando um indivíduo está dominado por Elenini, este se torna cego e surdo. Seu Ori está em desequilíbrio e passa a ser uma companhia perigosa aos incautos. Estar em companhia destes, ou em locais repletos de pessoas tomadas por Elenini, torna-se perigoso. 
Segundo os yorubás, quando o trabalho de Elenini entra em fase final, é preciso um grande esforço de Ori e da ajuda dos Orixás para haver a superação. 
Os dominados por Elenini têm suas vidas marcadas pela derrota, pelo fracasso, pelo desregramento. 
Muitos casos de loucura e de surtos de violência, em verdade, são resultantes do domínio de Elenini, quando esta consegue desvirtuar o Homem de seus objetivos, levando-o à derrota inevitável.
Somos frequentemente atacados por Elenini, todavia, através de recomendações do Oráculo, somos alertados e recomendados a fazer determinados ebós, ou a mudar atitudes que podem levar a resultados perniciosos em nossas vidas. 
Apesar do perigo que representa Elenini, esta divindade não é vista pela filosofia yorubá propriamente como algo “demoníaco”, mas como um contra-ponto, capaz de nos valorizar as boas atitudes e a testar nosso livre-arbítrio. 
Elenini nos obriga a exercitar o bom-senso e a fortificar iwá (o caráter). 
Todas as ações humanas que enfraquecem o Ori, tais como excessos de álcool, as drogas, a promiscuidade, locais onde Elenini impera, amizades nocivas, facilitam a influência da Yeyemuwo. Ao vencermos nossas fraquezas, derrotamos Elenini. 
Segundo a tradição yorubá, antes de virmos ao mundo, devemos antes fazer uma oferenda a Elenini. Aqueles que teimam e nada ofertam a Elenini, passam por grandes tribulações na vida e nada realizam. 
O poema que relata a vinda do Odu Irosun-Meji para o mundo, menciona sua relação com esta divindade. Vejamos:

“IROSUN-MEJI VEM PARA O MUNDO:
Antes de Irosun- Meji vir ao mundo, foi consultar Ifá.Ifá o avisou para fazer sacrifício com um galo e uma tartaruga para a divindade do infortúnio (Elenini ou Idobo) e um bode para Èşu. Também foi recomendado a dar uma galinha d´angola para seu anjo guardião.
Ele no entanto se recusou a fazer algum dos sacrifícios, e então veio ao mundo onde estava praticando a arte de Ifá. Quando cresceu, era tão pobre que não podia ter recursos para casar sossegado e ter um filho. O sofrimento se tornou tão severo para ele, que este decidiu jogar suas sementes de Ifá fora.
Nesse ínterim, teve um sonho no qual seu anjo guardião surgiu-lhe falando que ele era o único responsável por seus problemas porque tinha teimosamente recusado a fazer o sacrifício prescrito.
Quando acordou de manhã, decidiu consultar seu Ifá e foi então que compreendeu que foi seu guardião que surgiu para ele na noite anterior. Rapidamente providenciou fazer sacrifício para seu Ifá e deu um bode a Èşu.
Ifá avisou-o para retornar para o céu para informar a Olodumare como falhou ao não agradar Elenini. Para seu retorno ao céu, foi avisado a levar um galo, um jabuti, um pacote de inhames, uma cabaça de água, uma de óleo, pimenta, quiabo e rapé.
Ele então juntou todas as coisas e empacotou-as em sua bolsa divinatória (AKOMINIJEKUN ou AGBAVBOKO) e partiu.
Após viajar até o limite entre o céu e a terra, ele teve que atravessar sete colinas antes de chegar ao céu. Lá chegando foi direto ao palácio divino, onde encontrou Elenini (a guardiã da câmara divina – a divindade do infortúnio ou yeyemuwo, a mãe dos obstáculos).
Ele se ajoelhou na câmara divina e proclamou que viera com toda humildade para renovar seus desejos terrestres. Yeyemuwo disse que era ainda cedo da manhã para fazer algum pedido porque não havia comida na casa. De sua bolsa divinatória, ele retirou imediatamente a lenha, água, óleo, pimenta, sal, quiabo, rapé e por fim o galo, todos os quais a mãe dos obstáculos exigiu em troca, em sua usual tática atrasando-o, mas Irosun-meji estava completamente preparado depois disso, yeyemuwo permitiu-o fazer seus pedidos.
Como era proibido ajoelhar-se no chão descoberto, ele então se ajoelhou na tartaruga a qual trouxe da terra. Após fazer seus pedidos, Olodumare o abençoou com seu cetro divino. Quando yeyemuwo ouviu o som do cetro, rapidamente terminou sua culinária, mas antes de ela poder sair, Èşu indicou a Irosun-meji a partir rapidamente para a terra.
Quando a mãe dos obstáculos emergiu por fim da cozinha, perguntou a Olodumare pelo homem que tinha estado fazendo seus pedidos e o pai todo poderoso replicou que ele tinha ido. Quando ela questionou o porquê ele não pediu ao homem para fazer bons e maus pedidos, Deus replicou que não era sua tradição interferir quando seus filhos estavam fazendo seus pedidos.
A despeito de todos os presentes que ele tinha dado a yeyemuwo, ela, no entanto rapidamente partiu em rápida perseguição de Irosun-meji.
Quando estava perseguindo-o, ela cantou:
Ariro sowo giniginimoko;
Irawo be sese le eyin eron;
Oju ima ki irawo ma bi eronise;
Olo Oríre omomi duro demi buwo ooo;
Ele replicou com um refrão de uma canção dizendo que ele já tinha feito o sacrifício e seus pedidos, não faltando nada. Enquanto estava cantando ele estava correndo em frente apavorado.
Quando yeyemuwo viu que ela não conseguiria capturá-lo, ficou quieta e esticou seu polegar e disparou através de suas costas com ele. Aquela é a linha oca que corre por meio da espinha dorsal do ser humano, até hoje, a qual está nos recordando constantemente que a única maneira que nós podemos escapar das longas mãos do infortúnio é fazendo sacrifício.
Com aquela marca yeyemuwo proclamou a Irosun-meji e para o resto da humanidade – nunca lembrar seus pedidos celestes chegando a terra, visto que os olhos não podem ver as costas do corpo e que antes de dar conta de seus pedidos, ele teria que andar nas trevas por um longo tempo e experimentar um processo muito sofrido.
A dor do ferimento fez Irosun-meji inconsciente e ele caiu em um transe de total escuridão. Quando levantou, se achou em sua cama na terra. Ele havia esquecido tudo que aconteceu desde então.
Todavia ele circulou seus negócios e prosperou depois.”

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Mito e Rito

Mito


Um mito do grego antigo, é uma narrativa de caráter simbólico-imagético, relacionada a uma certa cultura que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser dos personagens, a origem das coisas (do mundo; dos homens; dos animais; das doenças; dos objetos; das práticas de caça, pesca, medicina entre outros; do amor; do ódio; da mentira e das relações, seja entre homens e homens, homens e mulheres e mulheres e mulheres, humanos e animais; enfim, de qualquer coisa fantasiosa que seja).
Ao mito está associado o rito. O rito é o modo de se pôr em ação o mito na vida do homem - em cerimônias, danças, orações e sacrifícios.
O termo "mito" é, por vezes, utilizado de forma pejorativa para se referir às crenças comuns (consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente maravilhoso) de diversas comunidades. Acontecimentos históricos podem se transformar em lendas, se adquirem uma determinada carga simbólica para uma dada cultura, e serem erroneamente chamados de mito. Na maioria das vezes, o termo refere-se especificamente aos relatos das civilizações antigas, mas há de se lembrar que muitas comunidades contemporâneas ainda se valem e muito do mito que, organizados, constituem uma mitologia - por exemplo, a mitologia grega, a mitologia romana, mitologia africana, etc...


Tipos de mitos

  • Cosmogonias: mitos de origem e destruição, incluindo os messiânicos e milenários.
  • Mitos folclóricos
  • Mitos fundadores, onde se explica a origem de um rito, uma crença, uma filosofia, uma cidade ou comunidade
  • Mito narrativo
  • Mitos de providência e destino
  • Mitos de renascimento e renovação, incluindo os de memória e esquecimento
  • Mitos de seres superiores e seus descendentes
  • Mitos de tempo e eternidade
  • Soteriológicos: de salvadores e heróis

Rito


O termo rito (do latim ritu) tem vários sentidos. Rito é um pouco diferente de ritual, dando continuidade ao mito. No sentido mais geral, é uma sucessão de palavras e atos que, repetida, compõe uma cerimônia (religiosa ou civil). Apesar de seguir um padrão, o rito não é mecanizado, pois pode atualizar um mito, mantendo ensinamentos ancestrais e sagrados.
É um conjunto de atividades organizadas, no qual as pessoas se expressam por meio de gestos, símbolos, linguagem e comportamento, transmitindo um sentido coerente ao ritual. O caráter comunicativo do rito é de extrema importância, pois não é qualquer atividade padronizada que constitui um rito.


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

segunda-feira, 21 de março de 2016

O Culto aos Eguns

Egun é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas tem como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos.

Os Mortos do sexo feminino recebem o nome de Iyá-mi Agbá (minha mãe anciã), porém, não são cultuadas individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Osorongá chamada também de Iyá Nlá, a grande mãe. Esta imensa massa energética que representa o poder ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas “Sociedades Gelèdé”, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detem e manipulam esse poderoso poder. O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvou ao poder feminino ancestra, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino. Além da sociedade Gelèdé,existemtambém na Nigéria a Sociedade Oro. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. Oro é uma divindade tal qual Ìyámi Osorongá, sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuados somente por homens. Tanto Ìyámi quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. São invisíveis e representam a coletividade, mas o poder de Ìyámi é maior e, portanto, mais controlado, inclusive pela sociedade Oro.
Outra forma, e mais importante, é o culto aos ancestrais masculinos, é elaborada pelas “Sociedades Egungun”. Estas têm como finalidade elaborar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades e comuninadades quando vivos, para que eles continuem presentes entre os seus descendentes de forma previlegiada, mantendo na morte a sua individualidade. Esses mortos surgem de forma visível mais camuflada, a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte, denominada Egun ou Egungun. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições , pois só os homens possuem ou matém a individualidade; as mulheres é negado este previlégio, assim como participar diretamente do culto. Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade, em locais e templos com sacerdotes diferentes dos do culto dos Orixás. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes, o conjunto forma uma só religião: a Yorubana.
No Brasil existem duas sociedades de Egungun, cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: O Ilê Agboulá, a mais antiga, em Ponta de Areia, e uma mais recente e ramificação da primeira, o Ilê Oyá, ambos em Itaparica, Bahia.
O Egungun é a morte que volta à terra espiritual e visivel aos olhos dos vivos.Ele “nasce” através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojés (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório, um bastão ou vara chamado ixan, que, quando tocado na terra por tres vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais, faz com que a “morte se torne vida”, e o Egungun ancestral divinizado está de novo vivo.
A aparição dos Eguns é cercada de total mistério, diferente do culto dos Orixás, em que o transe acontece durante as cerimônias públicas, perante olhares profanos, fiéis e iniciados. O Egungun simplesmente surge no salão, causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberto com uma roupa de tiras multicoloridas , que caem da ´parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos, da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. Fala com uma voz gutural inumana, rouca, , chamada séégí ou sé, e que está relacionada com a voz do macaco marrom, chamado Ijimerê na Nigéria.
As tradições religiosas afirmam que sob a roupa está somente a energia do ancestral; há também o transe mediúnico pois sob os panos está o mariwo (iniciado no culto Egunun) em transe ou preparado para representar seu ancestral, pelo sim pelo não, Egun está entre os vivos, e não se pode negar sua presença, energética ou mediúnica, pois as roupas ali estão e isto é Egun.
A roupa de Egun chamada de Eku na Nigéria ou opá na Bahia, ou Egungun propriamente dito, é altamente sacra ou sacrossanta e, por dogma, nenhum humano pode tocá-la. Todos os mariwoa usam ixan para controlar a morte , alí representada pelos Eguns. Eles e a assistência não devem tocár-se , pois como é dito nas falas populares dessas comunidades, a pessoa que for tocada por Egun se tornará assombrado, e o perigo o rondará. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou, talvez, a própria morte.
Ora, o Egun é a materialização da morte sob tiras de pano, e o contato, ainda que um simples esbarrão nessas tiras, é prejudicial.E mesmo os mais qualificados sacerdotes, como os Ojé atokun, que invocam, guiam e zelam por um ou mais Eguns, desempenham todas essas funções substituindo as mãos pelo Ixan.
Os Egun-Agbá (ancião), também chamados de baá-Egun (pai), são Eguns que játiveram os seus ritos completos e permitem, por isso, que suas roupas sejam mais completas e sua vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos.
Os Apaaraká são Eguns, ainda mudos e sua roupas são as mais simples: não tem tiras e parecem um quadro de pano com duas telas, uma na frente outra atrás. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar status de Babá; são traquinos e imprevisíveis, assustam e causam terror ao povo.

O eku dos Babá são divididos em três partes: o alabá, que é uma armação quadrada ou redonda, como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá, e da qual caem várias tiras de pano coloridas, formando uma espécie de largas franjas ao seu redor; o kafô, uma túnica de mangas que acabam em luvas, e pernas que acabam igualmente em sapatos, do qual, também caem muitas tiras de pano na altura do tórax; e o banté, que é uma larga tira de pano especial presa ao kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá. O banté que foi previamente preparado e impregnado de axé, é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. Ele o sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo, no caso o axé, e incorporá-lo. Ao contrário do toque na roupa, este ato é altamente benéfico. na Nigéria, os Agbá-Egun portam o mesmo tipo de roupa, mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá máscaras esculpidas de madeira chamadas de Erê Egungun;outros entre o alabá e o kafô, usam peles de animais; alguns Babás carregam na mão o opá iku e, às vezes, o ixan. Nesses casos, a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos.
Existem várias qualificações de Egun, como Babá e Apaaraká, conforme seus ritos, e entre os Agbá, conforme suas roupas, paramentos e maneira de se comportarem. As classificações, são extensas.

Pesquisa: Editora Minuano, revista:Candomblé Mitos e Lendas.
Texto de Aulo Barretti Filho,O Culto dos Eguns no Candomblé.

sexta-feira, 18 de março de 2016

domingo, 20 de dezembro de 2015

Ser Bruxa é...

Mais informações sobre a autora do texto acesse: https://www.facebook.com/holisticoseoraculos 


Ser Bruxa

é amar a vida em todas as suas manifestações e aspectos, é ser livre para ser não o que os outros propõem, mas o que ela se propõe.

     Ser Bruxa é ousar, traçar caminhos novos, criar e fazer sua vontade sem prejudicar a nada nem a ninguém, é ser fértil como só seu corpo feminino pode ser. 
     Ser Bruxa é despertar para o mundo e ter a coragem de erguer seus olhos para enxergá-lo sem culpa ou desculpa. É um caminho longo, difícil, corajoso e gratificante, porém... um caminho sem volta. 
     Ser bruxa é mais que estudo, é um estado de alma. Uma bruxa já nasce bruxa, apenas não sabe, não se lembra da época em que ainda não havia a separação.

     Quando você puder, sem medo, caminhar com os pés nus em uma floresta, olhar as árvores, as flores e sentir os ciclos da natureza em seu corpo... Você é uma Bruxa!     
       Quando você entrar confiante no mar, nos rios, nas cachoeiras, ficar sob a chuva e sentir em seu sangue o movimento das águas...
       Você é uma Bruxa!
  
      Quando você olhar para a vela, o fogo, as brasas, a fogueira e sentir que seu espírito dança com as labaredas...
      Você é uma Bruxa! 

      Quando você olhar para o céu, respirar fundo, sentir o vento no rosto e sentir-se livre para voar com ele...
      Você é uma Bruxa! 

      Quando você puder, em sua mente, andar como um gato, nadar como um golfinho, rastejar como serpente, voar como gavião, sorrir como um ser humano e compactuar com a Lua...
      Você é uma Bruxa!

      Quando você sentir que a Natureza é você e você é o Universo...
      Você é uma Bruxa!

      Ser Bruxa significa, antes de qualquer coisa, saber lidar e respeitar as Leis da Natureza. 
     A Bruxa respeita e conhece a Natureza. Porque a conhece, a ama. Porque a ama, cuida. Porque cuida, cura.
 
      Este é o nosso trabalho, o trabalho da Bruxa. Curar a Natureza com amor, o mesmo amor e respeito que, antes de tudo, para sermos bruxas, devemos dispensar a nós mesmas. 

A bruxa lida com o natural, com as forças da natureza em seu modo mais amplo. A lua é nossa conselheira. É através dela que temos contato íntimo com nossos ciclos, com nossas profundezas, com nossas emoções. É com a força dela que trabalhamos, em todos os aspectos de luz e sombras.

Uma bruxa não é aquele estereótipo que aprendemos nos quadrinhos, de nariz pontudo e verruga. Yabás são bruxas, pombagiras são bruxas. Todas, sem exceção, trabalham com as forças da natureza, e esta particularidade já lhes faz bruxas.


O que falar então de caboclas, pretas velhas!?!? Todas bruxas! Guiadas pela lua, utilizadoras das águas, das ervas, do fogo, que curam e acolhem.

A bruxaria não tem cor, não é branca, nem negra. A bruxaria é o que precisa ser, cada caso é um caso. Benzedeiras, o que são? Bruxas! Mas elas rezam! Siiiim, elas rezam! E quem disse que uma oração não é uma bruxaria?

A bruxaria mora nos 4 verbos: saber, querer, ousar e calar.

Eu só sei, se me conecto. É preciso disponibilidade de se abrir para o que nos cerca, sem medos e pudores.

Se eu quero, eu faço. Sou dona do meu destino, e o moldo da melhor maneira, com minhas atitudes. E claro, com uma forcinha mágica, afinal... somos bruxas!

Se eu faço, eu ouso. Ouso desafiar o senso comum, ouso desafiar o estado letárgico que nos impõem durante a vida, no afã de fazer diferente. Para nós, não existe “e se...”


Me calo. Porque como dizem as ciganas (sim, bruxas também!) a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro! É no ventre quieto e escuro que a vida nasce e se desenvolve. Pra que entrar em embates desnecessários, seja neste mundo ou no outro, contra toda a energia ruim que nos cerca? Mais vale a tranquilidade da quietude, do que dissipar energia que poderia ter fins mais proveitosos...
Maya Manson.


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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

As Iyami Oxorongá

O Poder ancestral feminino
e elementos místicos da mulher em seu duplo aspecto: protetor e generoso, perigoso e destrutivo estão representando As Iyami Oxorongá. Todos os orixás femininos são detentores deste poder.


As Iyami são as guardiãs do destino e zeladoras da existência, por isso sua boa vontade, essencial à continuidade da vida e da sociedade, deve ser cultivada. Pertencem a um grupo de seres espirituais chamados Ajogùn, cujas funções incluem carregar o ebó para alimentar-se dele ou, mais precisamente, do sofrimento humano do qual está impregnado. Ao processarem as energias dos ebós, possibilitam a cura, a superação de dificuldades e a atração de bens necessários. Sua relação com os poderes mágicos lhes possibilita também neutralizar os efeitos negativos de pensamentos, palavras e ações destrutivas que uma pessoa dirija contra outra ou contra si mesma. A presença e a influência de Iyami no jogo oracular é fundamental, pois se manifestam em todos os odus e, sendo parceiras deles, têm como ajudá-los a comunicar-se entre si. Parceiras também de Exu e dos demais orixás, indicam com eles os ebós necessários para cada situação, sendo de competência comum a todos a tarefa de transportá-los.


A expressão Ìyámi, Minha(s) Mãe(s) ou Zeladora(s), designa um orixá cujo poder é tão grande que todos se referem a elas sempre no plural, aludindo a uma coletividade. Quando se quer saudá-las basta pronunciar um de seus nomes, pois elas representam uma coletividade de seres relacionados a todos os elementos fundamentais para a sobrevivência dos homens: por isso traí-las significa trair a própria essência vital humana. Invocar as Mães implica em associar-se a uma coletividade de energias que vivem em estreita relação com elementos indispensáveis à sobrevivência humana.


As Iyami, curandeiras com grande poder mágico, podem assumir diferentes formas. Intervêm na existência humana no plano individual (na saúde física, psíquica e espiritual, no casamento e na sexualidade) e no plano social (no trabalho e nas amizades). Elas apoiam as pessoas em sua tarefa de organizar pensamentos e conhecimentos para melhor atingir objetivos, atraindo sorte e favorecendo conquistas materiais. Promovem mudanças no plano emocional, facilitando que um homem nervoso se acalme e um impaciente torne-se paciente. Intervindo nos destinos, protegem as pessoas de danos causados por inimigos e por falhas próprias. Como harmonizam relações, favorecem casamentos. Sendo portadoras de axé, favorecem a aquisição e a manutenção da energia vital; protetoras e zeladoras de tal energia, orientam as pessoas quanto à melhor maneira de realizar seu destino.


No aiye as Iyami trabalham para colocar ordem no conhecimento e na sabedoria dos seres, e transmitem isso ao orum através de assentamentos já consagrados a elas, de iniciações e da realização de constantes oferendas e ebós. A partir do momento em que se estabelece uma ligação com Iyami, adquire-se melhores condições para atingir objetivos e concretizar ideais.


As mulheres pertencentes ao grupo de devotos das Iyami são chamadas Ìyá-Agbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro acredite homens também podem ser bruxos). Ambos ficam atribuídos do poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A aquisição do poder das Iyami ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação. Esta última pode proporcionar a proteção delas para o iniciado e seus familiares e amigos mais próximos e pode, num grau mais elevado, permitir a transmutação física, embora exclusivamente no caso de mulheres. Diz o provérbio que o filho de Iyami tem dois ouvidos, dois olhos e uma única boca, para ouvir e ver bem mais do que falar. Falar sobre as Mães inspira a sensação de poder e sabedoria, muitas vezes equivocada, porque um devoto que não saiba proteger e preservar a força e os segredos confiados a ele será vencido facilmente. Falar sobre elas é uma tarefa desafiadora porque exige cumplicidade entre quem fala e quem ouve e uma responsabilidade rara das pessoas em relação ao uso que fazem das palavras. Por isso, durante a iniciação, as pessoas se comunicam o mínimo necessário.


Os iniciados em Iyami possuem as marcas simbólicas das Mães em seu corpo e podem sentí-las até mesmo fisicamente. Essas marcas indicam sinais de nobreza. Os devotos das Mães muitas vezes acabam se tornando líderes. Deles exige-se postura séria e rigorosa e uma auto-educação para que não fiquem mencionando o poder delas. Pessoas indiscretas ou que se considerem poderosas não devem cultuá-las, pois sua postura afasta o poder das Mães. Tolerância e paciência, qualidades do sábio, são os principais meios de se venerar Iyami e aos demais orixás. O devoto das Mães deve ser verdadeiro, leal, fiel e respeitoso para criar espaços onde elas possam viver e atuar. As Iyami têm o poder de tornar o tempo favorável ou desfavorável, podendo provocar morte prematura ou prolongar a vida: a capacidade de trabalhar com seus poderes para atuar sobre a duração da existência, entretanto, é privilégio de poucos sacerdotes.


Os iniciados em Iyami pelo Oduduwa Templo dos Orixás reunem-se periodicamente para manter e fiscalizar o culto aos orixás, zelar pela casa e tratar de assuntos relevantes para a comunidade que frequenta a instituição. Um dos eventos coletivos mais importantes do templo é o Festival de Iyami, que ocorre anualmente.




Bruxa e pássaro.

A palavra Ìyàmìs por si só, em realidade não identifica à mulher com o lado escuro de seu poder, como uma bruxa,  muito pelo contrário é um modo de exaltar e homenagear sua capacidade de engendrar apelando a seu lado protetor maternal, pois significa: Minha mãe!!!
Esta forma de referir-se a qualquer mulher expressa um sentido de reverência àquela que serve de ponte entre os antepassados e os vivos, bem como também reflete seu importante papel maternal.
Desse modo todas as divindades femininas são chamadas também ìyàmìs, mais não no sentido de bruxas, senão por tratar-se de uma homenagem verbal às grandes mães espirituais.


A coruja é um de seus pássaros.
A pena da coruja é utilizada em ritos das Ìyàmì, na finalidade de obter proteção contra os perversos espíritos da noite, ameaças e inveja.
É este pássaro quem leva os feitiços até seus destinos. Ele é pássaro bonito e elegante, pousa suavemente nos tetos das casas, nos galhos das árvores, e é silencioso.
Se as Ìyàmìs dizem que é pra matar, eles matam, se elas dizem pra levarem os intestinos de alguém, levarão.
Elas enviam pesadelos, fraqueza nos corpos, doenças, dor de barriga, levam embora os olhos e os pulmões das pessoas, dão dores de cabeça e febre, não deixam que as mulheres engravidem e não deixam as grávidas darem à luz.
As Ìyàmìs costumam se reunir e beber juntas o sangue de suas vítimas.
E só Orunmilá Consegue acalmá-la.
O Culto dos Eguns no Candomblé do sexo feminino recebem o nome de Ìyàmìs Agbá, minha mãe anciã, mas não são cultuados individualmente.
Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyàmìs Oxorongá chamada também deÌyá Niá, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas sociedades Gëlèdé, compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder.

O medo da ira de Ìyàmìs nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
O mito da bruxa que voa na vassoura acompanhada por pássaros macabros é quase mundial, com pequenas diferenças dependendo da cultura e folclore local.
As Ìyàmìs são executoras da lei num sentido inverso, isto é, procurar o bem a partir do mau.
Toda pessoa que tenha certa inclinação às características negativas para os demais está alimentando estas forças e com isso fortalecendo Ìyàmìs que a seu tempo a própria energia negativa da pessoa se converta em seu próprio juiz.
Ìyàmì Oxorongá  posará suas patas em cima de sua cabeça.
Não há nenhum ebó capaz de vencer o trabalho destas entidades, o que se pode no máximo é apaziguar-lhes .
Sua função se torna importante, pois tendem a regular o comportamento do ser humano através de seus medos.
Quem deseja que Ìyàmìs Oxorongá não se torne um obstáculo em sua vida deve frear os sentimentos de inveja, ciúmes, rancor, bem como qualquer pensamento negativo para seus semelhantes.
Fundem-se a ideia que as Ìyàmìs se reúnem em assembleia, onde se conspiraria e especularia sobre as maldades a realizar enviando os Ajogun após o questionamento se foi feito ou não os ebós marcados por babalaos através de Ifá, deste modo servem de reguladores do comportamento frente às dívidas geradas ante as divindades, por causa de ter rompido o equilíbrio existente de alguma maneira seja numa vida anterior ou na presente.

Ìyàmì Aye pertence todo sangue derramado na terra e também quem controla o sangue menstrual a que quando aparece revela a presença próxima destas criaturas, o que explicaria as dores típicas e o que costuma ter as mulheres nessa etapa.
 Presume-se que a palavra Aje utilizada como bruxa prove da contração de Iya +Je, a mãe que come, aludindo a seu voraz apetite, sempre atraída pelo cheiro do sangue e vísceras.
Ela pode vir sob a forma de mosca, pássaro, gracioso ou inclusive outros animais.
Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidissem não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer.
Esse é o poder de Iyá Mi, mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens.




As denominações de Ìyàmì expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados.
Quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especial para aplacar a ira das grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.
As feiticeiras mais temidas entre os yorubás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.

O aspecto mais aterrador das Ìyàmìs e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Oxorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.
As Ìyàmìs são as senhoras da vida, mas fundamental da vida é a morte.
Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo.
Não podem, porém, ser esquecidas, nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.
O lado bom de Ìyàmìs é expresso em divindades de grande fundamento, como Apàöká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Odé .
 Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Kêtu.
Os assentamentos de Ìyàmìs ficam juntos as grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre.
As Ìyàmìs, juntamente com Exú e os Eguns são evocados nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem à vida, integrarão o corpo das Ìyàmìs, que são as mulheres ancestrais.

À meia-noite ninguém deve estar na rua, principalmente em encruzilhada, mas se isso acontecer deve-se entrar em algum lugar e esperar passar os primeiros minutos. Também o vento, afefe de que Iansã é a dona, pode ser bom ou mau, através dele se enviam as coisas boas e ruins, sobretudo o vento ruim, que provoca a doença que o povo chama de ar do vento.
Ofurufu, o firmamento, o ar também desempenha o seu papel importante, sobretudo á noite, quando todo seu espaço pertence a Eleiye, que são as Ajés, transformadas em pássaros do mal, como Agbibgó, Elùlú, Atioro, Oxorongá, dentre outros, nos quais se transforma a Ajé-mãe, mais conhecida por Ìyàmì Osoronga.






TÍTULOS DE ÌYÀMÌ
Agba: Poderosa Mãe ancestral associada ao poder feminino.

Ajé : Poderosa Mãe administradora do Poder Sobrenatural. Este devido ao culto que é realizado na lua nova e utiliza de poderes sobrenaturais para combater à agressividade, feitiço. Por ser o ciclo mais escuro da lua.
Iyá Mi Ajé = minha mãe feiticeira também conhecida por  Ìyàmìs  Oxorongá , é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação.
Iyami Ajé na forma de pássaro, Coruja Rasga-Mortalha ou coruja rasgadeira, pousa nas árvores favoritas durante a noite, principalmente na jaqueira. Contam os antigos africanos que quando a coruja rasgadeira sobrevoa fazendo seu ruído característico ou aproxima-se de uma casa é porque alguém vai morrer. (Mito que se espalhou por outros cultos e religiões, afinal quem nunca ouviu falar isso)

Ako: Poderosa Mãe que é o pássaro Ako. Título referente ao 3o dia da lua cheia e a seu culto exatamente na sociedade das Geledes. Título de quem assume o posto de primeira dama desta sociedade.

Alaiye: Poderosa Mãe proprietária de toda extensão Terrestre.

Apaki: Poderosa Mãe que mata. Uma referência ao fato que ao decorrer da vida acontece a morte.
  
Araiye: Poderosa Mãe que controla todos os espíritos da Terra, encarnados e desencarnados.

Arajado: Poderosa Mãe que olha para o Céu. Uma referencia ao fato da Terra esta coberta pelo Céu.

Asiwòró: Poderosa Mãe canalizadora das energias nos ritos tradicionais.

Ayala: Poderosa Mãe esposa daquele que é o Céu. Uma referencia ao fato da Terra ser coberta pelo Céu o próprio Orixalá.

Buruku: Poderosa Mãe Antiga. Uma referência ao planeta na sua antiguidade existencial.

Egeleju: Poderosa Mãe dos olhos delicados.

Ekunlaiye: Poderosa Mãe que inunda a Terra com Água.

Eleje: Poderosa Mãe proprietária do fluxo da vida o sangue.

Elesenu: Poderosa Mãe Proprietária de todos os órgãos internos, vísceras.

Eleye: Poderosa Mãe Proprietária dos Pássaros.

Ilunjó: Poderosa Mãe que dança o ritmo da morte. Uma referência ao ritmo tocado para Ogun aquele que dança o ritmo da morte.

Iya-Ori: Poderosa Mãe das Cabeças, uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça. Titulo que é também cultuada nos ritos de bori.

Iyelala: Poderosa Mãe senhora dos sonhos, relacionada a revelação de situações através de sonhos.

Iyemonja: Poderosa Mãe senhora que possui muitos filhos como cardumes de Peixes, uma alusão à sua qualidade anfíbia e à quantidade de seres humanos existentes na terra comparada à quantidade de peixes existentes no Mar. Titulo relacionado a Egun.

Iyemowo: Poderosa Mãe que é o próprio dinheiro de suas filhas, uma alusão a grande quantidade de búzios que utiliza em suas roupas este titulo é cultuada no culto de Orixalá.

Kekere: Poderosa Mãe pequena do universo. Uma referência ao fato de Iyami ser a administradora da vida na auxiliando Olodunmare.

Koko: Poderosa Mãe Anciã, uma referência à antiguidade do planeta.

Logboje: Cabaça Existencial no Universo, uma referencia ao planeta Terra.

Malè: Poderosa mãe que não permite o mal chegar na noite, uma alusão as noites que sobrevoa na sua forma de pássaro nos lugares em que é invocada e reverenciada com louvores e saudações. Título este muito reverenciada nas rodas de Xangô, Egungun, quando e enquanto dançam em volta da fogueira ao Ar livre, fato memorável ao poder sobrenatural que possibilita Xangô como o grande Egungun ancestral voltar à Terra possuindo seus Eleguns durante as festividades.

Naré: Poderosa como o próprio ventre.

N'la: Poderosa grande Mãe, uma referência à grandeza do planeta Terra e seu culto elementar.

Oduwà: Poderosa Mãe proprietária do recipiente da existência, o mundo.

Oga Igi: Poderosa Mãe que faz o alto das árvores de trono. Uma referência ao fato dos Pássaros pousarem no cume das grandes árvores.

Oloriyàmi: Poderosa Mãe proprietária das águas, referência aos mares e a água do útero.

Olotojú: Poderosa Mãe que espia do alto ao fato dos pássaros pairarem no ar e observarem tudo de cima.

Omolulu: Poderosa Mãe rainha das formigas, ao fato de estar associada ao subsolo, título este em que é também cultuada no culto de Obaluaiê.

Onilé: Poderosa Mãe proprietária da Terra, referente a reverencia e aos rituais realizados dentro da terra. Outra referencia é ao fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual Ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes. Numa única função de tranquilizar, apaziguar ou neutralizar qualquer tipo de força oculta agressiva.

Oru-Alé: Poderosa Mãe da madrugada e da noite.

Osupa: Poderosa Mãe que controla as forças da lua.

Oxorongá: está sempre encolerizada e sempre pronta a desencadear sua ira contra os seres humanos. Está sempre irritada, seja ou não maltratada, esteja em companhia numerosa ou solitária, quer se fale bem ou mal dela, ou até mesmo que não se fale, deixando-a assim num esquecimento desprovido de glória. Tudo é pretexto para que Ìyàmì se sinta ofendida.
Tudo que é redondo remete ao ventre e, por consequência, as Ìyàmìs.
O poder das grandes mães é expresso entre os Orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de  Ìyàmìs  é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

Petekun: Poderosa Mãe que é povoada, uma referência a relação com Bará.

Curiosidades

ANIMAL : Abelha.

AVE : Coruja.

COME: Aves pequenas, víscera de animais, ovos.

QUATRO PÉ : Coelho.

INTERDITO : Pimenta da costa. (ATARI)

veja também: Ser Bruxa é.. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Oríkì fún Lògún Ede


Antes de mais nada gostaria de explicar que ORIKI são historias, poemas, versos que exaltam os feitos e qualidades das divindades africanas é uma louvação.


Oríkì fún Lògún Ede

Ganagana bi ninu elomi ninu
A se okùn soro èsinsin
Tima li ehin yeye re
Okansoso gudugu
Oda di ohùn
O ko ele pé li aiya
Ala aiya rere fi owó kan
Ajoji de órun idi agban
Ajongolo Okunrin
Apari o kilo òkò tímotímo
O ri gbá té sùn li egan
O tó bi won ti ji re re
A ri gbamu ojiji
Okansoso Orunmila a wa kan mà dahun
O je oruko bi Soponna
Soro pe on Soponna e nià hun
Odulugbese gun ogi órun
Odolugbese arin here here
Olori buruku o fi ori já igi odiolodi
O fi igbegbe lù igi Ijebu
O fi igbegbe lú gbegbe meje
Orogun olu gbegbe o fun oya li o
Odelesirin ni ki o wá on sila kerepa
Agbopa sùn kakaka
Oda bi odundun
Jojo bi agbo
Elewa ejela
O gbewo li ogun o da ara nu bi ole
O gbewo li ogun o kan omo aje niku
A li bilibi ilebe
O ti igi soro soro o fibu oju adiju
Koro bi eni ló o gba ehin oko mà se ole
O já ile onile bó ti re lehin
A li oju tiri tiri
O rí saka aje o dì lebe
O je owú baludi
O kó koriko lehin
O kó araman lehin
O se hupa hupa li ode olode lo
Òjo pá gbodogi ró woro woro
O pà oruru si ile odikeji
O kó ara si ile ibi ati nyimusi
Ole yo li ero
O dara de eyin oju
Okunrin sembeluju
Ogbe gururu si obè olori
A mò ona oko ko n ló
A mo ona runsun rdenreden
O duro ti olobi kò rà je
Rere gbe adie ti on ti iye
O bá enia jà o rerin sún
O se adibo o rin ngoro yo
Ogola okun kò ka olugege li òrùn
Olugege jeun si okurú ofun
O já gebe si orún eni li oni
O dahun agan li ohun kankan
O kun nukuwa ninu rere
Ale rese owuro rese / Ere meji be rese
Koro bi eni lo
Arieri ewo ala
Ala opa fari
Oko Ahotomi
Oko Fegbejoloro
Oko Onikunoro
Oko Adapatila
Soso li owuro o ji gini mu òrún
Rederede fe o ja kùnle ki agbo
Oko Ameri èru jeje oko Ameri
Ekùn o bi awo fini
Ogbon iyanu li ara eni iya ti n je
O wi be se be
Sakoto abi ara fini




Oríkì para Lògún Ede


Um orgulhoso fica infeliz que um outro esteja contente
É difícil fazer um corda com as folhas espinhosas da urtiga
Montado de cavalinho sobre as costas de sua mãe
Ele é sozinho, ele é muito bonito
Até a voz dele é agradável
Não se coloca as mãos sobre o seu peito
Ele tem um peito que atrai as mãos das pessoas
O estrangeiro vai dormir sobre o coqueiro
Homem esbelto
O careca presta atenção à pedra atirada certeiramente
Ele acha duzentas esteiras para dormir na floresta
Acordá-lo bem é o suficiente
Nós somente o vemos e o abraçamos como se ele fosse uma sombra
Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde
Ele tem um nome como Soponna /
É difícil alguém mau chamar-se Soponna
Devedor que faz pouco caso
Devedor que anda rebolando displiscentemente
Ele é um louco que quebra a cerca com a cabeça
Ele bate com seu papo numa árvore Ijebu
Ele quebrou sete papos com o seu papo
A segunda mulher diz ao papo para usar um pente (para desinchar o papo)
Um louco que diz que o procurem lá fora na encruzilhada
Aquele que tem orquite ( inflamação dos testículos) e dorme profundamente
Ele é fresco como a folha de odundun
Altivo como o carneiro
Pessoa amável anteontem
Ele carrega um talismã que ele espalha sobre o seu corpo como um preguiçoso
Ele carrega um talismã e briga com o filho do feiticeiro dando socos
Ele veste boas roupas
Com um pedaço de madeira muito pontudo ele fere o olho de um outro
Rápido como aquele que passa atrás de um campo sem agir como um ladrão
Ele destroi a casa de um outro e com o material cobre a sua
Ele tem olhos muito aguçados
Ele acha uma pena de coruja e a prende em sua roupa
Ele é ciumento e anda "rebolando" displicentemente
Ele recolhe as ervas atrás
Ele recolhe as ervas atrás
Ele anda "rebolando" desengonçado para ir ao pátio interior de um outro
A chuva bate na folha de cobrir telhados e faz ruído
Ele mata o malfeitor na casa de um outro
Ele recolhe o corpo na casa e empina o nariz
O preguiçoso está satisfeito entre os passantes
Ele é belo até nos olhos
Homem muito belo
Ele coloca um grande pedaço de carne no molho do chefe
Ele conhece o caminho do campo e não vai lá
Ele conhece o caminho runsun redenreden
Ele está ao lado do dono dos obi e não os compra para comer
O gavião pega o frango com as penas
Ele briga com qualquer um e ri estranhamente
Ele tem o hábito de andar como a um bêbado que bebeu
Sessenta contas não podem rodear o pescoço de um papudo
O papudo come no inchaço de sua garganta
Ele quebra o papo do pescoço daquele que o possui
Ele dá rapidamente crianças às mulheres estéreis
Ele guarda seus talismãs numa pequena cabaça
A noite coisa sagrada, de manhã coisa sagrada /
Duas vezes assim coisa sagrada
Rápido como alguém que parte
A proibição do pássaro branco é o pano branco
Ele mexe os braços fantasiosamente
Marido de Ahotomi
Marido de Fegbejoloro
Marido de Onikunoro
Marido de Adapatila
Bem desperto, ele acorda de manhã já com o arco e flecha no pescoço
Como um louco ele se debate para colocar os joelhos no chão, como o carneiro
Marido de Ameri que dá mêdo
Leopardo de pele bonita
Ele expulsa a infelicidade do corpo de alguém que tem infelicidade
Assim ele diz e assim ele faz
Orgulhoso que possui um corpo muito belo.

Como Jogar Obi.